quinta-feira, 4 de março de 2010

O som de SOLARIS



A banda sonora sonora de Cliff Martinez não só complementa o livro como apara os golpes ao decepcionante filme de Soderbergh. Martinez só pode mesmo ter emergido bem dentro do fantasmagórico e desconcertante romance de Stanislaw Lem. De lá saindo com os sons do oceano vivo...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Bobby Cassidy


Confesso que já estava à espera, mas "Bobby Cassidy: Counterpuncher" de Bruno de Almeida enche mesmo as medidas. Transbordante de força e da emergência de um ultimo Assalto ao qual não podemos faltar. Nele estão contidas a raiva, a rejeição, a paternidade, o amor... Isto do boxe como metáfora da vida não é aqui nenhum cliché. Vem mesmo das visceras.
Vi-o no dia seguinte à estreia, logo passados 5 dias passou para sessão única às 19 horas. Sobram agora duas sessões, às 19 horas no King, considerem-se avisados.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010



Gilles Villeneuve faria hoje 60 anos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Com poncho e mantinha



Desde que vi ondas surfadas no Oceano Ártico, acredito em tudo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Zappa











Se Frank Zappa fosse vivo faria hoje 69 anos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

101



Parabéns Manoel de Oliveira. 101 velas e a realizar dois filmes por ano. Grande cineasta, goste-se ou não. Para mim como que alternando entre a genealidade de um "Vou para Casa" e o desencorajo de um "Palavra e Utopia". Qualquer dia poderei achar o contrário, daí que perante isto, pouco valham agora estas minhas subjectivas considerações pessoais. Vai ficando sempre a coragem e visão únicas de Oliveira. E a ideia que o país não dá conta do real valor deste homem.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Questões de perspectiva


A falta que o Zé faz e a falta que o Zé fazia, ou como há realmente "espaços mais verdes" que outros...

domingo, 1 de novembro de 2009

António Sérgio


Há quase vinte anos que o ouvia. Foi com ele que conheci pela primeira vez bandas como os Husker Du, My Bloody Valentine ou mesmo os Nirvana. Sou concerteza da terceira ou mesmo quarta geração de pessoas que muito devem da sua instrução músical a António Sérgio. Nos dias de hoje e num passado não muito distante, com uma rádio cada vez mais comercialóide, medíocre, aborrecida e repetitiva, António Sérgio era ainda um dos poucos que sabiam resistir. Estaria agora a ensinar mais uma geração de ouvintes que através dele percorreriam mais bandas, mais tendencias, mais estilos, mais Música...Depois do cinema ter perdido Bénard da Costa é agora a rádio que perde um dos insubstituíveis

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vertigem e Conforto



Gostei deste Michael Mann. Histórica verídica da ultima etapa de vida do famoso assaltante de bancos Joe Dillinger, após a sua fuga da prisão. É um retrato muito bem ilustrado de uma época e de um tempo. Numa batalha em campo aberto, sem mediação, entre Dillinger e o metódico detective Melvin Purvis. Em Dillinger está lá o homem, o sofredor, o injustiçado que esteve 8 anos preso por ter assaltado uma mercearia, vivendo o pós-prisão com uma infindável dose de confiança, inteligência e coragem que o parece tornar indestrutível. É quiça a faculdade dos homens que querendo-se vingar da injustiça do mundo, sentem que já não têm nada a perder. É aqui preciso deixar a ressalva que Dillinger jamais robou um individuo na sua segunda vida de assaltante, "apenas" assaltava bancos, o que o tornava num herói do povo em tempos de miséria da Grande Depressão.
Como em "Heat - Cidade Sobre Pressão", "Public Ennemies" desenvolve o temática do jogo do gato e do rato. Dillinger (Johnny Depp) está sempre ao ataque e Purvis (Christian Balle) pratica um calculado cattenaccio, neutralizando as armas e o terreno que Dillinger havia conquistado para no final, numa jogada de pura artimanha, atacá-lo inesperadamente. Já decorria um ano de duelo épico que se eternizava : cheio de sangue, golpes, contragolpes e provocações temerárias de Dillinger. Acabando no fim por ser a "erva daninha" a corroer o destino do protagonista e dar a vitória a Purvis. A propósito, a denunciadora romena Anna Sage acabaria mesmo por ser deportada. Algo que não surge nas legendas finais dos destinos dos protagonistas, o que poderia acentuar o efeito queima roupa do golpe final.
"Public Ennemies" é um dos melhores filmes de Mann. Ponho-o ao lado de Heat - Cidade sobre Pressão", atrás de "Insider" e mais atrás ainda da obra-prima "Miami Vice" (o filme).
Michael Mann é um realizador moderno e peculiar na forma como encadeia os planos e sabe iluminar os seus filmes. Conjugando tudo com um fundo musical e banda sonora que nos transporta para um género de conforto tenso. Essa marca muito própria, em consonância com uma temática adulta e intelectualmente masculinizada, é uma reflexão e ilustração do tema do homem livre em suspenso contra o mundo. Não existe ali possível mediação, a acção está na carne e no osso. A aniquilação absoluta é algo iminente. O jogo do gato e do rato encontra-se também na dialéctica conforto versus liberdade. Mas é neste jogo que está o motor dos melhores filmes de Mann. Por vezes acelera, tornando-se vertiginoso e acelerando o climax. Outras vezes deixa-nos num limbo, como o silêncio que anuncia a tempestade.
Este é em minha opinião o grande trunfo do cinema de Mann - o saber combinar a estética com a vertigem. De uma forma que nos faz dar como muito bem entregue o tempo dedicado a ver alguns dos seus filmes.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sinatra, a Mafia e Scorsese



Já muitos desconfiavam das ligações de Frank Sinatra à Mafia. Outros tinham mais certezas. Frank Sinatra estava pelo menos bem conectado com alguns Wise Guys.
O escritor Mario Puzzo, autor da saga "O Padrinho" misturando a sua imaginação com factos e personagens reais, criou o cantor Johnny Fontane a pensar em Frank Sinatra.
Para aprofundarmos o tema para além das insinuações e desconfianças, recomendo a tão excelente como arrepiante série documental Crime Inc, de inicios dos anos 80, onde num episódio o antigo chefe da Mafia de Los Angeles Jimmy Fratianno põe a água na fervura em relação aos supostas conexões de Sinatra. Fratianno foi um dos mais proeminentes mafiosi a entregar-se ao FBI, acabando por ser importante na denúncia de figuras chave da Cosa Nostra norte-americana como o poderoso Carmine "The Snake" Persico , o boss da família Colombo.
Existem também relatos acerca de uma certa atitude "tu sai-me da frente..." com que Sinatra circulava pelos casinos de Las Vegas nos anos 60, comandados na altura pelo Chicago Outfit. Não se sabe ao certo se derivava da atitude de estrelato ou das costas largas que o cantor e actor teria naqueles tempos.

Como já se sabe, Martin Scorsese vai realizar um filme sobre a vida de Frank Sinatra, é uma excelente notícia. Scorsese como amante da verdade e perscutador cinematográfico dos lados sombrios da existência, de certo não irá passar um "lápis azul" aos aspectos mais negros da vida de Sinatra. Pode-se compreender que a familia não tenha gostado mesmo nada da ideia. Mas passando em frente, Scorsese tem tudo para criar dali uma bomba cinematográfica, o tal clássico que não se vê desde "Good Fellas". Em primeiro lugar porque é um melómano assumido, com os seus filmes e documentários sobre músicos ou filmagens de concertos - Bob Dylan, Rolling Stones, The Band, os Blues... Depois pela forma como sabe enquadrar a música nos seus filmes - "Good Fellas", "Casino", "Taxi Driver", "The Departed", etc e etc. Aí acabou por fazer escola e ter em Quentin Tarantino um digno continuador...
Como Sinatra, Coppola ou De Niro, Scorsese tem raízes com o modus vivendi e tradições da comunidade italo-americana. Cresceu paredes meias com a Mafia em Little Italy. Conhece o enredo como ninguém, o que certamente contribuiu para pérolas cinematográficas como o excelente "Mean Streets" sobre a Máfia "soldado raso", ou o também excelente "Casino" com o Chicago Outfit em Las Vegas e a obra-prima "Good Fellas" sobre Henry Hill e meandros da familia Lucchese.
Por fim a tumultuosa personalidade do genial Frank Sinatra, aventureira e (auto) destrutiva tem algo de Scorsesiano. De certo haverá também um lado mais luminoso, amigável e criativo a explorar. Vamos esperar para ver como será tudo transformado em Cinema.



(Na foto acima, vê-se Sinatra em 1976 com Carlo Gambino, Paul Castelano e Jimmy Fratianno entre outros "Good Fellas")

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eleições - Nada de absoluto



- O PS ganhou as Eleições Legislativas. Com uma maioria relativa, é certo, mas é quem vai comandar os destinos do país na próxima legislatura. Mesmo perdendo a maioria absoluta, venceu as Eleições. Em competição governativa interessa sobretudo ganhar, não tanto com quantos pontos se ganha. É tão simples como isso? É.


- O CDS foi um grande vencedor da noite. Teve uma votação esmagadora, com um número de deputados que irá dar muita força ao anterior partido do Táxi. Convém contudo aos centristas não embadeirarem em arco - a maior parte do seu eleitorado veio de descontentes do PSD e de descontentes que antes votaram no PS, que recusando votar à esquerda, também não decidiram votar PSD, por todos os óbvios motivos que se sabem. Está muito longe de ser um eleitorado fixado. Paulo Portas é inteligente e percebeu isso, tentando desde já no seu discurso trabalhar a fixação desse eleitorado. Sinal que tem os pés assentes na terra.

- Pelos motivos invocados acima e mais alguns, o PSD foi o grande derrotado. Deitou tudo a perder pela campanha e falta de visão de Manuela Ferreira Leite. Por tentar queimar étapas através da calúnia e demagogia barata, pelo papel de Cavaco Silva e da insinuada"asfixia democrática" vinda de umas escutas inventadas com um temporizador. Pelas candidaturas de António Preto e Helena Lopes da Costa. E last but not least, pela incapacidade de comunicação ao país e de mobilização do partido. O PSD ainda terá uma longa travessia pela frente, seguramente muito além do próximo Congresso...

- O Bloco de Esquerda subiu para mais do dobro a sua votação, mas não terá em si o poder de fazer uma maioria absoluta com o PS. Se provocar demasiado José Sócrates, corre o risco de vê-lo legitimar-se à direita, ou então a tentar forçar a ingovernabilidade do país, o que ao longo da nossa Democracia sempre foi meio caminho andado para novas maiorias...

- A CDU ganhou um deputado, mas perdeu dois lugares nas preferências dos portugueses. Teve uma noite amarga. E das duas uma, ou ganhará tempo com o próprio tempo, ou terá de mudar a sua estratégia de comunicação. Principalmente nos grandes centros urbanos, onde infelizmente os votos contam mais do que no Alentejo e outras zonas do interior do país.

- A esquerda terá necessariamente de se entender. Faz no Parlamento maioria absoluta com o PS. Mas nenhum dos seus partidos isoladamente o consegue fazer, coisa que o CDS infelizmente consegue. Nada será estático nesta legislatura.

- Na "Liga dos Últimos" o PCTP-MRPP de Garcia Pereira teve mais de 50 mil votos. Há muito que anda há beira de eleger um deputado. O golpe de asa virá da recheada carteira do seu líder?

- Como muitos já salientaram, foi bom não haver uma maioria absoluta. Foi um regresso da política ao dia a dia das pessoas. Ainda bem.


Imagem - DN on Line

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dinosaur



O novo album dos Dinosaur Jr. é uma fascinante viagem ao passado agora presente. Eles estão cá.

sábado, 22 de agosto de 2009

Do alto da falésia


"O mundo é hoje, para os nossos contemporâneos das cidades, um parque temático. Anulámos todos os sensores. Alguém, a quem pagámos num contrato social paradoxalmente sem propinas, estudou e anulou os perigos. Alguém vigia. Deitamo-nos debaixo das arribas. Penduramos as toalhas na sinalética de aviso.
Ruiu a falésia. Vem o Pai, o Tutor e os prefeitos. E o responsável do Parque de Diversões. E essa gente do Estado menos Estado. Quarenta carros, quatrocentos homens. Amanhã instalaremos sinalética adequada, de maiores dimensões. Depois, em acção punitiva, derrubaremos a arriba assassina. E em breve todas as arribas e todas as falésias. "
Ler tudo aqui.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Kind of Blue




A perfeição improvisada. O clássico dos clássicos dos clássicos. O eterno "Kind of Blue" faz hoje 50 anos.

sábado, 15 de agosto de 2009

40 Anos de Woodstock



Sem Bob Dylan, os Beatles, os Stones, os Doors ou os Kinks. Mas com Jimi Hendrix, Crosby, Stills, Nash & Young; Sly & The Family Stone, The Who, Creedence Clearwater Revival, The Band, Grateful Dead, Janis Joplin, etc, etc e etc. E mais de 500 mil pessoas numa celebração em nome dos ideais de paz, amor e muita droga à mistura.





Foi o festival que marcou o principio do fim dos anos 60 e anunciou muito do que estaria para vir. Deu força a uma geração em luta contra os poderes instituídos e contra o conservadorismo vigente numa sociedade em transformação. Foi também um massivo e esmagador protesto pacífico contra a guerra do Vietname. Para mim, que ainda estava longe de estar vivo, de Woodstock ficou-me Jimi Hendrix, um inspirado Richie Havens a cantar sem dentes - como protesto ou para soar melhor ainda não sabemos; um documentário excelente, janados, confusão, lama e alguma música soberba.



sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Les Paul (1915 – 2009)


O próprio e todos aqueles que tiveram a sua marca e que usaram aquela lindíssima guitarra justamente baptizada com o seu nome. De todos gosto particularmente deste. Como soaria a sua música sem a Les Paul? Ou como soaria Jimmy Page, Slash, Paul McCartney ou Frank Zappa. Mais aqui.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ai Laurinda



Laurinda. Não te cuides e cultives depressa ou não tarda nada ainda te dedicam um site. Se não sabes, fica quieta. Ou então não arrisques. É melhor, até porque em calinadas já andas à frente do Sousa Cintra. Se fosses a Margarida Rebelo Pinto, o Santana Lopes ou o Jardel estavas tramada. Com...


Os Roisin Murphy, não Laurinda é a cantora Roisin Murphy. Já esteve numa banda, os Moloko, mas já não está, separaram-se. Não faças confusão. Se não sabes, pergunta.


Laroche Foucault, não Laurinda, é La Rochefocauld, filósofo e moralista da aristocracia francesa do século XVII.Há um excelente livrinho de aforismos dele no mercado. Deve custar hoje menos de 5 €. Vale muito a pena.


A escritora Evelyn Waugh, não Laurinda é o emblemático escritor britânico Evelyn Waugh. Infelizmente nunca o li. Mas não o conheces ao menos da excelente e famosa série de televisão?



É melhor ficarmos por aqui.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009


JOSH HOMME NA GUITARRA E VOZ



JOHN PAUL JONES NO BAIXO E TECLADOS


DAVE GROHL NA BATERIA



+

ALLAN JOHANNES NA GUITARRA


São os Them Crooked Vultures. Já têm album pronto. Não procurem em todos os sites do mundo, não os conseguem ouvir ainda. O silêncio anuncia a tempestade.

domingo, 9 de agosto de 2009

Outro Agosto





Em Lisboa, com boas companhias. O mestre Jim Jarmusch, o genial Michael Mann e o soberbo James Gray. A cidade vazia enche-se em grandes filmes.

Solnado e o papel da RTP


Das coisas que mais me envergonham, assustam, angustiam e entristecem em Portugal é haver gente que nunca é punida por crimes destes. Simplesmente porque não se sabe quem são, não parece haver forma de se saber e não há moral, respeito ou sequer regras que impeçam que a infâmia seja feita. Como foi possível? Agora é tarde, demasiado tarde.

Adenda: Também João Lopes põe aqui o dedo na ferida. "Será que ainda conseguimos sentir-nos chocados?"

RAUL SOLNADO (1929-2009)



terça-feira, 4 de agosto de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Separados à nascensa






Botelho e Arthur Lee respectivamente.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

30 anos



De um dos mais épicos duelos que vi em toda a minha vida. E não falo só de Formula 1.
Aconselho a leitura deste excelente post. Está lá tudo, ou quase tudo o que é preciso para celebrar a data. Acima o vídeo deste duelo tão louco quanto belo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Dos Açores a voar


Atrás do meu clube e dos chás Gorreana, a Sata é bem capaz de ser a minha marca portuguesa favorita. E agora com o novo logótipo, continua a ser bem a imagem dos Açores: a discrição aliada à excelência do melhor e mais genuíno. O voo do silêncio.

terça-feira, 16 de junho de 2009

De Formula 1 a Formula 0



Com a redução de orçamentos prevista, talvez algum dia aquela oficina ali na Correira Teles concorra para ter um carro na Fórmula 1. É que os reguladores da FIA à força de tanto inventarem de ano para ano, aborreceram-se de simplesmente inventar. Acharam que assim deixavam tanto de dar nas vistas. Vai então que decidem inventar mesmo a sério e agora a Formula 1 será para (quase) todos. Por causa da crise e para aumentar a competividade, dizem eles. Esqueceram-se do resto e do mais importante, a mística da modalidade com as suas equipas, adeptos e rivalidades e o facto da Formula 1 ser um autêntico laboratório de tecnologia automóvel de ponta, tendo andado a par com a história da industria desde a sua formação. Não foi concerteza á custa de tectos orçamentais que o conseguiu.
A Formula 1 sempre foi uma genuína fábrica de heróis e mitos, que são no fundo os melhores pilotos e por isso correm nas melhores equipas, como em muitos desportos no qual o futebol é um bom exemplo. É ridículo reduzi-la agora por auto-recriação a uma competição algures entre o Nascar e o Karting com a aparência de Formula 3000. Só tenho pena que as espertas criaturas da FIA não inventassem uma outra coisa: um novo nome para a modalidade. E deixavam a Formula 1 para os malucos que não são burocratas como eles. Acho que não o fizeram porque assim provavelmente iam-se aborrecer. Como diz o outro, "eles querem é aparecer...".
Não seja por isso caros burocratas,vejam este video acima, nada mais que um lendário duelo entre o malogrado Gilles Villeneuve e René Arnoux e talvez deixem de nos chatear tanto a nós no tédio das vossas vidas que pelos vistos devem ser mesmo muito aborrecidas.
Ou então pensem no que seria no Futebol uma Portuguesa sem o Sporting, a Liga Espanhola sem o Real Madrid, uma Liga Alemã sem Bayern ou uma Liga Italiana sem Juventus, ou mudem para o Basquetebol e pensem numa NBA sem os Lakers ou num Basebol sem uns New York Yankees. Algo do género: o orçamento não ultrapassa as três tutas e meia e podem concorrer (quase)todos. Pois é isso mesmo que pretendem para a Formula 1 ás custas de quem fez crescer a modalidade.
Como nada vem ao acaso, se calhar mesmo que inconscientemente, mudaram desde há uns tempos as corridas para o Dubai, para a Malásia, China, corridas à noite, etc. Foi para preparar o terreno. Para que surjam novos adeptos, de preferencia que não conheçam bem quem foi Senna, Prost, Fangio ou Niki Lauda. Assim sempre será melhor para sustentar a modalidade e encher os bolsos depois dos chatos da Ferrari se irem embora...
Temo bem que não. A encarnação da cristalina estupidez das criaturas acabará por desaguar no óbvio: sem Ferrari a Formula 1 acabará num ápice, mais depressa do que quando começou. Se bem que o chairman ache que não.

Adenda: À cautela as verdadeiras e grandes equipas de Formula 1 começaram já a organizar-se. Exceptuando a Williams estão lá entre outras a Ferrari, A McLaren-Mercedes, a Renault, a Brawn, a Toyota, etc.
Parece que teremos a real Formula 1 com outro nome, enquanto que os senhores da FIA terão a sua modalidade a chamar-se Formula 1 com um nível do interesse e adesão de uma Formula Turismo qualquer. Das duas uma, ou dão com o braço a torcer e mostram a nu a sua cristalina inutilidade ou então lá se vai o dinheirinho. É bem feito.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vitória à Esquerda

O PSD não tem muito por onde puxar os galões da vitória. Ficou á frente mas teve o um resultado semelhante à sua maior derrota em termos de significado da sua história. Manteve praticamente o mesmo eleitorado da derrocada de há 4 anos com Santana Lopes, e isto com um PS em queda livre. Não me parece um resultado nada extraordinario, mas contra factos não há argumentos. O PSD seria Governo se as eleições de hoje tivessem sido as legislativas. Não foram e o PSD tem todo o caminho para percorrer, se bem que com outra força, outra moral e outra energia. Do Partido Socialista não me admira que o país o tenha mandado "dar uma curva". Para não mencionar José Sócrates, a sua propaganda e os ultimos problemas que tem enfrentado, basta rodar a "Roda dos Ministros": Ministra da Educação (completo desastre), Ministro da Economia (muito mau), Ministro da Agricultura (mau); Ministro das Finanças (faz o que pode); Ministro da Cultura ( não existe, só se fôr inimigo da Cultura...); Ministro do Ambiente (o pior da história, a hecatombe total). Paremos a roda. Há ministros - como a da Saúde, ou o do Trabalho e Solidariedade, ou o dos Negócios Estrangeiros - que não entram neste grupo "horribilis", mas a mim parece-me que pior era impossível. Estranho para mim é o desembaraço e confiança de Sócrates com tão sofrível equipa. Agora todo o cuidado será pouco para evitar mais "embaraços" embaraçosos. E não convém abusar das inaugurações da praxe pré-eleitorais, os tempos já não estão para isso. O CDS manteve o mesmo resultado quando as sondagens já os andavam a dar 2%. O que custa a entender. Daí um certo sentimento de vitória que é um compreensível sentimento de alívio. Mas não é uma vitória, longe disso. No fundo a direita manteve o seu eleitorado. Apesar de ter levantado todos os foguetes. Vamos aos verdadeiros vitoriosos da noite: a Esquerda. Com mais de 20% dos votos do eleitorado é uma nova força que impõe respeito. Foi quem realmente subiu, tendo o Bloco de Esquerda duplicado a sua votação e tido o maior número de votos da sua história, sendo agora a terceira força política. A CDU teve uma pequena vitória com uma curta subida, mas ficou atrás do Bloco o que para muitos comunistas é uma derrota, apesar de numas europeias isso valer muito pouco. Tirando os abstencionistas e o numero grande de votos em branco e nulos, o único eleitorado que ganhou votos foi a esquerda. Vai ser esse eleitorado que o PS vai ter de ir buscar se quiser ganhar os próximos combates políticos. Também não me admira nada que o PSD vá tentar também por ali entrar para tentar neutralizar de alguma forma o Partido Socialista e ganhar votos entre os descontentes. Será um risco porque pode ser apanhado em contra pé pelo CDS, que pode daí tentar aproveitar algum eleitorado mais à direita do PSD. Mas não só, os Luis Filipes Menezes e Pedro Paços Coelhos desta vida hoje não estarão muito contentes com a vitória do PSD... Por isso que acho que futebolisticamente falando a bola está do lado da esquerda. Também estará do lado dos abstencionistas e dos desiludidos do voto em branco (quase 5%). Parece-me é que depois das Eleições de hoje seja muito difícil ultrapassar-se o descontentamento pela Direita. A ver vamos. Adenda: Se em Portugal teve mais votos a Esquerda, no resto da Europa ganhou a Direita. Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, França, Polónia...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Porque voto Bettencourt


Porque José Eduardo Bettencourt é o candidato mais preparado e capaz de liderar um Sporting em situação crítica, nestes terríveis tempos de crise financeira e económica internacional. Possui para isso experiência de gestão bancária ao mais alto nível, essencial para perceber os traiçoeiros meandros da alta finança.
Porque tem competência comprovada, capacidade mobilizadora e de trabalhar em equipa, prova disso é a unanimidade sobre a excelência de Bettencourt entre aqueles que já colaboraram com ele. Combinar isto com o conhecimento que tem do clube e do futebol português é um cocktail que só pode dar ao Sporting bons resultados a todos os níveis.
Porque é um vencedor por natureza. Quando realmente exerceu funções executivas no futebol, o Sporting ganhou 1 campeonato, 1 taça e uma 1 supertaça. Outras ficaram quase por ganhar - Bettencourt não teve culpas na deserção de Jardel - que foi um fatal abalo no projecto de ganhar vários campeonatos seguidos , o que não impediu outros brilharetes de JEB, entre eles a contratação de um tal de Liedson.
Porque a época vai começar daqui a menos de um mês e a pré-eliminatória para a Champions é daqui a menos de dois. A máquina estar montada e pronta a funcionar, com os inevitáveis melhoramentos e ajustes é meio caminho andado para se atingir a milionária Champions League, de que o Sporting precisa como de pão para a boca.
Porque Bettencourt vai dedicar-se em exclusivo ao clube. Não tem empresas suas, nem futuros negócios por onde se dispersar, nem ninguém para proteger. Só por má fé ou ignorância se pode dizer o contrário. O que ganhar será fruto do seu trabalho, mais nada.
Porque acredito completamente no seu genuíno sportinguismo. Não é uma fezada, é fé mesmo a sério. Confio em Bettencourt como em mais ninguém para dirigir os destinos do nosso clube.
Porque tem qualidades essenciais de carácter que muito aprecio, mesmo não o conhecendo pessoalmente. Consegue aliar um carácter franco, espontâneo, simpático e aberto com a capacidade de estar à altura dos desafios, disso foi bem a prova do famoso rasgão de José Mourinho à camisola a Rui Jorge. Disto não tirou proveitos nesta campanha, o que é mais uma prova do seu carácter.
Porque sendo ambicioso não embandeira em arco. Tem os pés muito bem assentes no chão. Em tempos de pântano é sempre melhor ter alguém que tem a consciência das perigosas areias movediças.
Por todos estes factores e mais algum, considero abissal a diferença entre as duas candidaturas. Em relação ao comportamento dos dois candidatos é melhor nem falar. Estamos mais que conversados.