quinta-feira, 27 de abril de 2006

Pat Versus Billy - The Directors Cut


Um Pat Garrett moralmente equivalente a Billy The Kid, explicando a sua redenção nos termos de “chegamos a uma idade em que já não nos apetece saber o que vai acontecer a seguir. E daí...” São os" irmãos de sangue" num lado oposto da barricada por a vida dar tantas voltas, that's what happened...
Quando no início do filme é perguntado a Billy The Kid porque não matou o seu companheiro este apenas diz: "why? He's my friend...". Talvez por isso seja Pat Garrett a ser visto morto no inicio do filme. Como se esse inicio fosse um espelho do fim. E é com esse espelho que somos confrontados ao longo de toda a trama do filme. Onde se vê Pat e Billy respeitados da mesma forma por todos. Sobretudo por Alias (um Bob Dylan au point) que é um género de eixo da acção, ponto central num círculo de opostos que se atraem. Ele, que fora de tudo é "aéreo" o suficiente para fazer derreter o coração dos dois de forma equivalente, eles que são absolutamente equivalentes.
Peckimpah filma tudo isto com a música de Bob Dylan e com o espaço dos grandes westens da história. Os diálogos são de uma síntese absoluta. Cada palavra lançada tem um significado próprio, faz parte do jogo. É dada como inevitável cartada. Há espaço ainda para a bebida, constante no filme, todos bebem muito, Pat Garrett bebe sempre. E por fim há as mulheres. Amadas tanto por um como pelo outro. Ao sabor do local onde se está, e do momento.
Com Kris Kristofferson, numa versão cool de William H. Bonney (Billy the Kid), e o grande James Coburn como um Pat Garrett mais rude que nunca, céptico até ao tutano, intratável. Um homem cheio de dúvidas que se agarrou à moralidade por ser a única corda que o sustenta. Ou então definitivamente "convertido", mas escondendo a sua verdade aos velhos companheiros. Escondendo-se por trás daquele olhar frio e indiferente.
Talvez tenha sido este estranho Pat Garrett, complexo e contraditório que tenha provocado o verdadeiro conflito de Sam Peckimpah com a MGM. Provocando a "singularidade" de um filme que não é totalmente acabado - ainda com superficies pouco polidas, a deixarem margem para um tratamento, um aprofundamento - mas que ainda assim é a peça genuína que se vê. Cheia de portas por abrir. Que é como um grande vinho de casta que foi pouco trabalhado. E que ficou aquele portento... Dê por onde der: obra-prima.
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terça-feira, 25 de abril de 2006

25 de Abril



Sempre. Fascismo nunca mais.

sábado, 15 de abril de 2006

"Páscoa"

A Assembleia da Républica "congelada", não me lembro de altura em que tenham existido tantas "justificações" em simultâneo, tudo "coincidências"...Com o "justo" e "fraterno" Manuel Alegre à cabeça, esta foi uma Pascoa de “sacrifício” e “renúncia”: museus fechados com estrangeiros de nariz na porta (a inevitável greve), uma cinemateca fechada desde quinta-feira (e não imagino quando é que as "elites" metem na cabeça que há muita malta que trabalha, e que nem todos podem desfrutar de cinema ás 15:30, que existe por exemplo o Domingo). Postos de Turismo fechados como sempre, pois é altura de "descanso". Talvez exista alguém que por exemplo decida ir a Castanheira de Pêra durante a próxima quarta-feira, ao meio dia. Aí será atendido. E assim passamos esta Páscoa neste país da Cultura do vez em quando, e na fachada, que confunde turismo com oferta hoteleira e por aí fora como sabemos.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

A History of Violence



David Cronenberg é dos poucos com bagagem para saber criar os seus próprios paradoxos. Para mudar de registos. É magnifica a transição progressiva entre a inicial estranheza Lynchiana, para a crónica da suposta harmonia familiar com as suas rotinas, e mais á frente em direcção á secura de um bom Western que poderia ser de Don Siegel com um hiper eficaz Clint Eastwood. Filme paródia e metáfora, acerca dos nossos demónios escondidos e do “paraíso perdido”. Importa aqui ver o momento do regresso do personagem de Viggo Mortesen para junto da familia. Tudo pesa ali. E tudo custa fazer sob o peso da culpa partilhada. O que se passou antes presta-se aqui “apenas” ao prazer e á eficácia em vários filmes dentro de um.
"A History of Violence" é um olhar sobre os Estados Unidos feita por um vizinho canadiano. Suficientemente distante para poder ver o todo, mas suficientemente próximo para poder conhece-lo. Sem pretenciosismos ou falsas questões, como alguém que subitamente olha para nós e nos diz que temos uma nódoa na camisa. E nós que não tinhamos reparado nisso. Se essa nódoa está agora no Iraque isso fica ao critério de cada um...

Ejaculações e Bicos de Pés

Via vários blogues dou de caras com esta frase: « Num qualquer blogger existe e vegeta um colunista ambicioso ou desempregado ou um mero espírito ocioso e rancoroso. Dantes, a pior desta gente praticava o onanismo literário e escrevia maus versos para a gaveta, agora publicam-se as ejaculações.» Perante tanto desassombramento e tamanha frontalidade resta-me apenas perguntar que blogues anda a ler a talvez "ofendida" Clara Ferreira Alves? Eu que tal como João Gonçalves, nem sequer a leio, já a li noutros tempos. Eu que sentado ainda continuo à espera do tal "romance" há tanto anunciado.