quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
101

Parabéns Manoel de Oliveira. 101 velas e a realizar dois filmes por ano. Grande cineasta, goste-se ou não. Para mim como que alternando entre a genealidade de um "Vou para Casa" e o desencorajo de um "Palavra e Utopia". Qualquer dia poderei achar o contrário, daí que perante isto, pouco valham agora estas minhas subjectivas considerações pessoais. Vai ficando sempre a coragem e visão únicas de Oliveira. E a ideia que o país não dá conta do real valor deste homem.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Questões de perspectiva
domingo, 1 de novembro de 2009
António Sérgio

Há quase vinte anos que o ouvia. Foi com ele que conheci pela primeira vez bandas como os Husker Du, My Bloody Valentine ou mesmo os Nirvana. Sou concerteza da terceira ou mesmo quarta geração de pessoas que muito devem da sua instrução músical a António Sérgio. Nos dias de hoje e num passado não muito distante, com uma rádio cada vez mais comercialóide, medíocre, aborrecida e repetitiva, António Sérgio era ainda um dos poucos que sabiam resistir. Estaria agora a ensinar mais uma geração de ouvintes que através dele percorreriam mais bandas, mais tendencias, mais estilos, mais Música...Depois do cinema ter perdido Bénard da Costa é agora a rádio que perde um dos insubstituíveis.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Vertigem e Conforto

Gostei deste Michael Mann. Histórica verídica da ultima etapa de vida do famoso assaltante de bancos Joe Dillinger, após a sua fuga da prisão. É um retrato muito bem ilustrado de uma época e de um tempo. Numa batalha em campo aberto, sem mediação, entre Dillinger e o metódico detective Melvin Purvis. Em Dillinger está lá o homem, o sofredor, o injustiçado que esteve 8 anos preso por ter assaltado uma mercearia, vivendo o pós-prisão com uma infindável dose de confiança, inteligência e coragem que o parece tornar indestrutível. É quiça a faculdade dos homens que querendo-se vingar da injustiça do mundo, sentem que já não têm nada a perder. É aqui preciso deixar a ressalva que Dillinger jamais robou um individuo na sua segunda vida de assaltante, "apenas" assaltava bancos, o que o tornava num herói do povo em tempos de miséria da Grande Depressão.
Como em "Heat - Cidade Sobre Pressão", "Public Ennemies" desenvolve o temática do jogo do gato e do rato. Dillinger (Johnny Depp) está sempre ao ataque e Purvis (Christian Balle) pratica um calculado cattenaccio, neutralizando as armas e o terreno que Dillinger havia conquistado para no final, numa jogada de pura artimanha, atacá-lo inesperadamente. Já decorria um ano de duelo épico que se eternizava : cheio de sangue, golpes, contragolpes e provocações temerárias de Dillinger. Acabando no fim por ser a "erva daninha" a corroer o destino do protagonista e dar a vitória a Purvis. A propósito, a denunciadora romena Anna Sage acabaria mesmo por ser deportada. Algo que não surge nas legendas finais dos destinos dos protagonistas, o que poderia acentuar o efeito queima roupa do golpe final.
"Public Ennemies" é um dos melhores filmes de Mann. Ponho-o ao lado de Heat - Cidade sobre Pressão", atrás de "Insider" e mais atrás ainda da obra-prima "Miami Vice" (o filme).
Michael Mann é um realizador moderno e peculiar na forma como encadeia os planos e sabe iluminar os seus filmes. Conjugando tudo com um fundo musical e banda sonora que nos transporta para um género de conforto tenso. Essa marca muito própria, em consonância com uma temática adulta e intelectualmente masculinizada, é uma reflexão e ilustração do tema do homem livre em suspenso contra o mundo. Não existe ali possível mediação, a acção está na carne e no osso. A aniquilação absoluta é algo iminente. O jogo do gato e do rato encontra-se também na dialéctica conforto versus liberdade. Mas é neste jogo que está o motor dos melhores filmes de Mann. Por vezes acelera, tornando-se vertiginoso e acelerando o climax. Outras vezes deixa-nos num limbo, como o silêncio que anuncia a tempestade.
Este é em minha opinião o grande trunfo do cinema de Mann - o saber combinar a estética com a vertigem. De uma forma que nos faz dar como muito bem entregue o tempo dedicado a ver alguns dos seus filmes.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Sinatra, a Mafia e Scorsese

Já muitos desconfiavam das ligações de Frank Sinatra à Mafia. Outros tinham mais certezas. Frank Sinatra estava pelo menos bem conectado com alguns Wise Guys.
O escritor Mario Puzzo, autor da saga "O Padrinho" misturando a sua imaginação com factos e personagens reais, criou o cantor Johnny Fontane a pensar em Frank Sinatra.
Para aprofundarmos o tema para além das insinuações e desconfianças, recomendo a tão excelente como arrepiante série documental Crime Inc, de inicios dos anos 80, onde num episódio o antigo chefe da Mafia de Los Angeles Jimmy Fratianno põe a água na fervura em relação aos supostas conexões de Sinatra. Fratianno foi um dos mais proeminentes mafiosi a entregar-se ao FBI, acabando por ser importante na denúncia de figuras chave da Cosa Nostra norte-americana como o poderoso Carmine "The Snake" Persico , o boss da família Colombo.
Existem também relatos acerca de uma certa atitude "tu sai-me da frente..." com que Sinatra circulava pelos casinos de Las Vegas nos anos 60, comandados na altura pelo Chicago Outfit. Não se sabe ao certo se derivava da atitude de estrelato ou das costas largas que o cantor e actor teria naqueles tempos.
Como já se sabe, Martin Scorsese vai realizar um filme sobre a vida de Frank Sinatra, é uma excelente notícia. Scorsese como amante da verdade e perscutador cinematográfico dos lados sombrios da existência, de certo não irá passar um "lápis azul" aos aspectos mais negros da vida de Sinatra. Pode-se compreender que a familia não tenha gostado mesmo nada da ideia. Mas passando em frente, Scorsese tem tudo para criar dali uma bomba cinematográfica, o tal clássico que não se vê desde "Good Fellas". Em primeiro lugar porque é um melómano assumido, com os seus filmes e documentários sobre músicos ou filmagens de concertos - Bob Dylan, Rolling Stones, The Band, os Blues... Depois pela forma como sabe enquadrar a música nos seus filmes - "Good Fellas", "Casino", "Taxi Driver", "The Departed", etc e etc. Aí acabou por fazer escola e ter em Quentin Tarantino um digno continuador...
Como Sinatra, Coppola ou De Niro, Scorsese tem raízes com o modus vivendi e tradições da comunidade italo-americana. Cresceu paredes meias com a Mafia em Little Italy. Conhece o enredo como ninguém, o que certamente contribuiu para pérolas cinematográficas como o excelente "Mean Streets" sobre a Máfia "soldado raso", ou o também excelente "Casino" com o Chicago Outfit em Las Vegas e a obra-prima "Good Fellas" sobre Henry Hill e meandros da familia Lucchese.
Por fim a tumultuosa personalidade do genial Frank Sinatra, aventureira e (auto) destrutiva tem algo de Scorsesiano. De certo haverá também um lado mais luminoso, amigável e criativo a explorar. Vamos esperar para ver como será tudo transformado em Cinema.
(Na foto acima, vê-se Sinatra em 1976 com Carlo Gambino, Paul Castelano e Jimmy Fratianno entre outros "Good Fellas")
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Eleições - Nada de absoluto
- O PS ganhou as Eleições Legislativas. Com uma maioria relativa, é certo, mas é quem vai comandar os destinos do país na próxima legislatura. Mesmo perdendo a maioria absoluta, venceu as Eleições. Em competição governativa interessa sobretudo ganhar, não tanto com quantos pontos se ganha. É tão simples como isso? É.
- O CDS foi um grande vencedor da noite. Teve uma votação esmagadora, com um número de deputados que irá dar muita força ao anterior partido do Táxi. Convém contudo aos centristas não embadeirarem em arco - a maior parte do seu eleitorado veio de descontentes do PSD e de descontentes que antes votaram no PS, que recusando votar à esquerda, também não decidiram votar PSD, por todos os óbvios motivos que se sabem. Está muito longe de ser um eleitorado fixado. Paulo Portas é inteligente e percebeu isso, tentando desde já no seu discurso trabalhar a fixação desse eleitorado. Sinal que tem os pés assentes na terra.
- Pelos motivos invocados acima e mais alguns, o PSD foi o grande derrotado. Deitou tudo a perder pela campanha e falta de visão de Manuela Ferreira Leite. Por tentar queimar étapas através da calúnia e demagogia barata, pelo papel de Cavaco Silva e da insinuada"asfixia democrática" vinda de umas escutas inventadas com um temporizador. Pelas candidaturas de António Preto e Helena Lopes da Costa. E last but not least, pela incapacidade de comunicação ao país e de mobilização do partido. O PSD ainda terá uma longa travessia pela frente, seguramente muito além do próximo Congresso...
- O Bloco de Esquerda subiu para mais do dobro a sua votação, mas não terá em si o poder de fazer uma maioria absoluta com o PS. Se provocar demasiado José Sócrates, corre o risco de vê-lo legitimar-se à direita, ou então a tentar forçar a ingovernabilidade do país, o que ao longo da nossa Democracia sempre foi meio caminho andado para novas maiorias...
- A CDU ganhou um deputado, mas perdeu dois lugares nas preferências dos portugueses. Teve uma noite amarga. E das duas uma, ou ganhará tempo com o próprio tempo, ou terá de mudar a sua estratégia de comunicação. Principalmente nos grandes centros urbanos, onde infelizmente os votos contam mais do que no Alentejo e outras zonas do interior do país.
- A esquerda terá necessariamente de se entender. Faz no Parlamento maioria absoluta com o PS. Mas nenhum dos seus partidos isoladamente o consegue fazer, coisa que o CDS infelizmente consegue. Nada será estático nesta legislatura.
- Na "Liga dos Últimos" o PCTP-MRPP de Garcia Pereira teve mais de 50 mil votos. Há muito que anda há beira de eleger um deputado. O golpe de asa virá da recheada carteira do seu líder?
- Como muitos já salientaram, foi bom não haver uma maioria absoluta. Foi um regresso da política ao dia a dia das pessoas. Ainda bem.
Imagem - DN on Line
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Dinosaur
O novo album dos Dinosaur Jr. é uma fascinante viagem ao passado agora presente. Eles estão cá.
sábado, 22 de agosto de 2009
Do alto da falésia

"O mundo é hoje, para os nossos contemporâneos das cidades, um parque temático. Anulámos todos os sensores. Alguém, a quem pagámos num contrato social paradoxalmente sem propinas, estudou e anulou os perigos. Alguém vigia. Deitamo-nos debaixo das arribas. Penduramos as toalhas na sinalética de aviso.
Ruiu a falésia. Vem o Pai, o Tutor e os prefeitos. E o responsável do Parque de Diversões. E essa gente do Estado menos Estado. Quarenta carros, quatrocentos homens. Amanhã instalaremos sinalética adequada, de maiores dimensões. Depois, em acção punitiva, derrubaremos a arriba assassina. E em breve todas as arribas e todas as falésias. "
Ler tudo aqui.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Kind of Blue
A perfeição improvisada. O clássico dos clássicos dos clássicos. O eterno "Kind of Blue" faz hoje 50 anos.
sábado, 15 de agosto de 2009
40 Anos de Woodstock

Sem Bob Dylan, os Beatles, os Stones, os Doors ou os Kinks. Mas com Jimi Hendrix, Crosby, Stills, Nash & Young; Sly & The Family Stone, The Who, Creedence Clearwater Revival, The Band, Grateful Dead, Janis Joplin, etc, etc e etc. E mais de 500 mil pessoas numa celebração em nome dos ideais de paz, amor e muita droga à mistura.
Foi o festival que marcou o principio do fim dos anos 60 e anunciou muito do que estaria para vir. Deu força a uma geração em luta contra os poderes instituídos e contra o conservadorismo vigente numa sociedade em transformação. Foi também um massivo e esmagador protesto pacífico contra a guerra do Vietname. Para mim, que ainda estava longe de estar vivo, de Woodstock ficou-me Jimi Hendrix, um inspirado Richie Havens a cantar sem dentes - como protesto ou para soar melhor ainda não sabemos; um documentário excelente, janados, confusão, lama e alguma música soberba.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Les Paul (1915 – 2009)
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Ai Laurinda

Laurinda. Não te cuides e cultives depressa ou não tarda nada ainda te dedicam um site. Se não sabes, fica quieta. Ou então não arrisques. É melhor, até porque em calinadas já andas à frente do Sousa Cintra. Se fosses a Margarida Rebelo Pinto, o Santana Lopes ou o Jardel estavas tramada. Com...
Os Roisin Murphy, não Laurinda é a cantora Roisin Murphy. Já esteve numa banda, os Moloko, mas já não está, separaram-se. Não faças confusão. Se não sabes, pergunta.

Laroche Foucault, não Laurinda, é La Rochefocauld, filósofo e moralista da aristocracia francesa do século XVII.Há um excelente livrinho de aforismos dele no mercado. Deve custar hoje menos de 5 €. Vale muito a pena.

A escritora Evelyn Waugh, não Laurinda é o emblemático escritor britânico Evelyn Waugh. Infelizmente nunca o li. Mas não o conheces ao menos da excelente e famosa série de televisão?

É melhor ficarmos por aqui.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
JOSH HOMME NA GUITARRA E VOZ

JOHN PAUL JONES NO BAIXO E TECLADOS

DAVE GROHL NA BATERIA

+
ALLAN JOHANNES NA GUITARRA
São os Them Crooked Vultures. Já têm album pronto. Não procurem em todos os sites do mundo, não os conseguem ouvir ainda. O silêncio anuncia a tempestade.
domingo, 9 de agosto de 2009
Outro Agosto



Em Lisboa, com boas companhias. O mestre Jim Jarmusch, o genial Michael Mann e o soberbo James Gray. A cidade vazia enche-se em grandes filmes.
Solnado e o papel da RTP

Das coisas que mais me envergonham, assustam, angustiam e entristecem em Portugal é haver gente que nunca é punida por crimes destes. Simplesmente porque não se sabe quem são, não parece haver forma de se saber e não há moral, respeito ou sequer regras que impeçam que a infâmia seja feita. Como foi possível? Agora é tarde, demasiado tarde.
Adenda: Também João Lopes põe aqui o dedo na ferida. "Será que ainda conseguimos sentir-nos chocados?"
terça-feira, 4 de agosto de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
30 anos
De um dos mais épicos duelos que vi em toda a minha vida. E não falo só de Formula 1.
Aconselho a leitura deste excelente post. Está lá tudo, ou quase tudo o que é preciso para celebrar a data. Acima o vídeo deste duelo tão louco quanto belo.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Dos Açores a voar

Atrás do meu clube e dos chás Gorreana, a Sata é bem capaz de ser a minha marca portuguesa favorita. E agora com o novo logótipo, continua a ser bem a imagem dos Açores: a discrição aliada à excelência do melhor e mais genuíno. O voo do silêncio.
terça-feira, 16 de junho de 2009
De Formula 1 a Formula 0
Com a redução de orçamentos prevista, talvez algum dia aquela oficina ali na Correira Teles concorra para ter um carro na Fórmula 1. É que os reguladores da FIA à força de tanto inventarem de ano para ano, aborreceram-se de simplesmente inventar. Acharam que assim deixavam tanto de dar nas vistas. Vai então que decidem inventar mesmo a sério e agora a Formula 1 será para (quase) todos. Por causa da crise e para aumentar a competividade, dizem eles. Esqueceram-se do resto e do mais importante, a mística da modalidade com as suas equipas, adeptos e rivalidades e o facto da Formula 1 ser um autêntico laboratório de tecnologia automóvel de ponta, tendo andado a par com a história da industria desde a sua formação. Não foi concerteza á custa de tectos orçamentais que o conseguiu.
A Formula 1 sempre foi uma genuína fábrica de heróis e mitos, que são no fundo os melhores pilotos e por isso correm nas melhores equipas, como em muitos desportos no qual o futebol é um bom exemplo. É ridículo reduzi-la agora por auto-recriação a uma competição algures entre o Nascar e o Karting com a aparência de Formula 3000. Só tenho pena que as espertas criaturas da FIA não inventassem uma outra coisa: um novo nome para a modalidade. E deixavam a Formula 1 para os malucos que não são burocratas como eles. Acho que não o fizeram porque assim provavelmente iam-se aborrecer. Como diz o outro, "eles querem é aparecer...".
Não seja por isso caros burocratas,vejam este video acima, nada mais que um lendário duelo entre o malogrado Gilles Villeneuve e René Arnoux e talvez deixem de nos chatear tanto a nós no tédio das vossas vidas que pelos vistos devem ser mesmo muito aborrecidas.
Ou então pensem no que seria no Futebol uma Portuguesa sem o Sporting, a Liga Espanhola sem o Real Madrid, uma Liga Alemã sem Bayern ou uma Liga Italiana sem Juventus, ou mudem para o Basquetebol e pensem numa NBA sem os Lakers ou num Basebol sem uns New York Yankees. Algo do género: o orçamento não ultrapassa as três tutas e meia e podem concorrer (quase)todos. Pois é isso mesmo que pretendem para a Formula 1 ás custas de quem fez crescer a modalidade.
Como nada vem ao acaso, se calhar mesmo que inconscientemente, mudaram desde há uns tempos as corridas para o Dubai, para a Malásia, China, corridas à noite, etc. Foi para preparar o terreno. Para que surjam novos adeptos, de preferencia que não conheçam bem quem foi Senna, Prost, Fangio ou Niki Lauda. Assim sempre será melhor para sustentar a modalidade e encher os bolsos depois dos chatos da Ferrari se irem embora...
Temo bem que não. A encarnação da cristalina estupidez das criaturas acabará por desaguar no óbvio: sem Ferrari a Formula 1 acabará num ápice, mais depressa do que quando começou. Se bem que o chairman ache que não.
Adenda: À cautela as verdadeiras e grandes equipas de Formula 1 começaram já a organizar-se. Exceptuando a Williams estão lá entre outras a Ferrari, A McLaren-Mercedes, a Renault, a Brawn, a Toyota, etc.
Parece que teremos a real Formula 1 com outro nome, enquanto que os senhores da FIA terão a sua modalidade a chamar-se Formula 1 com um nível do interesse e adesão de uma Formula Turismo qualquer. Das duas uma, ou dão com o braço a torcer e mostram a nu a sua cristalina inutilidade ou então lá se vai o dinheirinho. É bem feito.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Vitória à Esquerda
O PSD não tem muito por onde puxar os galões da vitória. Ficou á frente mas teve o um resultado semelhante à sua maior derrota em termos de significado da sua história. Manteve praticamente o mesmo eleitorado da derrocada de há 4 anos com Santana Lopes, e isto com um PS em queda livre. Não me parece um resultado nada extraordinario, mas contra factos não há argumentos. O PSD seria Governo se as eleições de hoje tivessem sido as legislativas. Não foram e o PSD tem todo o caminho para percorrer, se bem que com outra força, outra moral e outra energia. Do Partido Socialista não me admira que o país o tenha mandado "dar uma curva". Para não mencionar José Sócrates, a sua propaganda e os ultimos problemas que tem enfrentado, basta rodar a "Roda dos Ministros": Ministra da Educação (completo desastre), Ministro da Economia (muito mau), Ministro da Agricultura (mau); Ministro das Finanças (faz o que pode); Ministro da Cultura ( não existe, só se fôr inimigo da Cultura...); Ministro do Ambiente (o pior da história, a hecatombe total). Paremos a roda. Há ministros - como a da Saúde, ou o do Trabalho e Solidariedade, ou o dos Negócios Estrangeiros - que não entram neste grupo "horribilis", mas a mim parece-me que pior era impossível. Estranho para mim é o desembaraço e confiança de Sócrates com tão sofrível equipa. Agora todo o cuidado será pouco para evitar mais "embaraços" embaraçosos. E não convém abusar das inaugurações da praxe pré-eleitorais, os tempos já não estão para isso. O CDS manteve o mesmo resultado quando as sondagens já os andavam a dar 2%. O que custa a entender. Daí um certo sentimento de vitória que é um compreensível sentimento de alívio. Mas não é uma vitória, longe disso. No fundo a direita manteve o seu eleitorado. Apesar de ter levantado todos os foguetes. Vamos aos verdadeiros vitoriosos da noite: a Esquerda. Com mais de 20% dos votos do eleitorado é uma nova força que impõe respeito. Foi quem realmente subiu, tendo o Bloco de Esquerda duplicado a sua votação e tido o maior número de votos da sua história, sendo agora a terceira força política. A CDU teve uma pequena vitória com uma curta subida, mas ficou atrás do Bloco o que para muitos comunistas é uma derrota, apesar de numas europeias isso valer muito pouco. Tirando os abstencionistas e o numero grande de votos em branco e nulos, o único eleitorado que ganhou votos foi a esquerda. Vai ser esse eleitorado que o PS vai ter de ir buscar se quiser ganhar os próximos combates políticos. Também não me admira nada que o PSD vá tentar também por ali entrar para tentar neutralizar de alguma forma o Partido Socialista e ganhar votos entre os descontentes. Será um risco porque pode ser apanhado em contra pé pelo CDS, que pode daí tentar aproveitar algum eleitorado mais à direita do PSD. Mas não só, os Luis Filipes Menezes e Pedro Paços Coelhos desta vida hoje não estarão muito contentes com a vitória do PSD... Por isso que acho que futebolisticamente falando a bola está do lado da esquerda. Também estará do lado dos abstencionistas e dos desiludidos do voto em branco (quase 5%). Parece-me é que depois das Eleições de hoje seja muito difícil ultrapassar-se o descontentamento pela Direita. A ver vamos. Adenda: Se em Portugal teve mais votos a Esquerda, no resto da Europa ganhou a Direita. Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, França, Polónia...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Porque voto Bettencourt

Porque José Eduardo Bettencourt é o candidato mais preparado e capaz de liderar um Sporting em situação crítica, nestes terríveis tempos de crise financeira e económica internacional. Possui para isso experiência de gestão bancária ao mais alto nível, essencial para perceber os traiçoeiros meandros da alta finança.
Porque tem competência comprovada, capacidade mobilizadora e de trabalhar em equipa, prova disso é a unanimidade sobre a excelência de Bettencourt entre aqueles que já colaboraram com ele. Combinar isto com o conhecimento que tem do clube e do futebol português é um cocktail que só pode dar ao Sporting bons resultados a todos os níveis.
Porque é um vencedor por natureza. Quando realmente exerceu funções executivas no futebol, o Sporting ganhou 1 campeonato, 1 taça e uma 1 supertaça. Outras ficaram quase por ganhar - Bettencourt não teve culpas na deserção de Jardel - que foi um fatal abalo no projecto de ganhar vários campeonatos seguidos , o que não impediu outros brilharetes de JEB, entre eles a contratação de um tal de Liedson.
Porque a época vai começar daqui a menos de um mês e a pré-eliminatória para a Champions é daqui a menos de dois. A máquina estar montada e pronta a funcionar, com os inevitáveis melhoramentos e ajustes é meio caminho andado para se atingir a milionária Champions League, de que o Sporting precisa como de pão para a boca.
Porque Bettencourt vai dedicar-se em exclusivo ao clube. Não tem empresas suas, nem futuros negócios por onde se dispersar, nem ninguém para proteger. Só por má fé ou ignorância se pode dizer o contrário. O que ganhar será fruto do seu trabalho, mais nada.
Porque acredito completamente no seu genuíno sportinguismo. Não é uma fezada, é fé mesmo a sério. Confio em Bettencourt como em mais ninguém para dirigir os destinos do nosso clube.
Porque tem qualidades essenciais de carácter que muito aprecio, mesmo não o conhecendo pessoalmente. Consegue aliar um carácter franco, espontâneo, simpático e aberto com a capacidade de estar à altura dos desafios, disso foi bem a prova do famoso rasgão de José Mourinho à camisola a Rui Jorge. Disto não tirou proveitos nesta campanha, o que é mais uma prova do seu carácter.
Porque sendo ambicioso não embandeira em arco. Tem os pés muito bem assentes no chão. Em tempos de pântano é sempre melhor ter alguém que tem a consciência das perigosas areias movediças.
Por todos estes factores e mais algum, considero abissal a diferença entre as duas candidaturas. Em relação ao comportamento dos dois candidatos é melhor nem falar. Estamos mais que conversados.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
João Bénard da Costa
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João Benard da Costa deixa de alguma forma orfão o cinema português. Era aquele a quem todos olhávamos de baixo, como num plano contrapicado. Do Cinema que o apaixonava ensinava-nos a vê-lo, a pensá-lo, a interpretá-lo, a sermos mais cinéfilos.
Das coisas que sempre me irei lembrar na vida eram aquelas folhas A4 da Cinemateca que eram ao mesmo tempo crónicas e crítica cinematográfica. Nunca as lia antes do filme. Era lidas depois, como uma sobremesa. Mas eram muito mais que uma sobremesa. Eram outro filme dentro do filme. Autênticos segredos que João Benard da Costa nos revelava, aumentando o nosso fascínio pela Sétima Arte.
João Benard da Costa foi também um grande escritor. Os textos que conheci publicados no jornal "Público" mostravam um homem cultíssimo, sábio, de uma dimensão gigantesca e dono de uma escrita ao nível da grande literatura.
João Benard da Costa foi um homem superior e criou uma Cinemateca que orgulha qualquer lisboeta ou português que se preze. É uma enorme perda para Portugal, para a cultura portuguesa e para o Cinema. Os Mestres não se esquecem.
domingo, 17 de maio de 2009
A Direita é a minha bússula
Ficar chocado com a glorificação de Che Guevara, num contexto e circunstâncias históricas muito próprias, passadas há 50 anos e nem sequer verter um caracter escrito do mesmo "choque" quando Che é comparado a Hitler é todo um programa. Todo um programa. Eu que me encontro mais à direita que o meu companheiro de blogue descubro-me com a esquerda nestas coisas. Já estou como Miguel Sousa Tavares "descubro que sou de esquerda quando oiço a direita a falar". Vou até mais longe, para mim a direita é a minha bússola. É sempre bom ter uma bússola. Che Guevara foi um personagem controverso? Sim. Assassinou gente na revolução?Também. Acreditava na ditadura do proletariado e numa igualdade que eu não subscrevo? Idem. Mas daqui a transformar o homem num calígula sanguinário ou ousar mesmo que levianamente compará-lo a Hitler vai uma certa distância. Talvez patológica, para não ir mais longe. Isto para dizer que esta entrevista e este post são um nojo. O sentido das proporções realmente não se coaduna com clubites partidárias. Neste caso, coitadas das clubites da bola que não têm culpa nenhuma...
terça-feira, 12 de maio de 2009
A Verdadeira Tourada

Uma coisa que me irrita nesta polémica dos animais de circo e das touradas é a tendência tão irritante como estúpida de tentarmos mandar nas capelinhas uns dos outros. Então em Sintra devém sentir-se uns Civilizadores. Logo o Concelho de Sintra, com as suas centenas de problemas delicadíssimos, começando pelos cancerígenos Cabos de Muito Alta Tensão a céu aberto no Cacém, até aos brutais níveis de marginalidade, delinquência e violência que qualquer dia podem explodir em qualquer coisa de terrível.
Tenho a dizer que aprecio touradas quando as vejo e sinto repulsa pelo Circo: repugna-me com animais, com trapezistas ou com os tristes palhaços. São gostos.
As Touradas são números de uma enorme emoção, mística e espectacularidade. Rituais de tragédia e dor mas também de beleza e verdadeiro heroísmo. É simplesmente estúpido e ignorante reduzi-las a um número de barbarie ou dizer que é mera diversão à custa do touro. É mais um reflexo desta superficialidade que nos corrói. Se tirassem os olhos obstinados daquilo que os repugna e é fácil de atacar com o colete à prova de balas do politicamente correcto, veriam que a carne de porco e de vaca que comem - nem falemos das galinhas e afins... - é obtida através de formas de matança muito mais violentas e bárbaras do que aquilo que imaginam. Depois de uma vida miserável, sem um palmo de terra para se mexerem e alimentados a rações de químicos. Arrisco dizer, vivendo muito pior do que qualquer touro que tenha nascido até agora no planeta Terra.
Podiam também olhar para alguns produtos de cosmética, cremes ou perfumes que muito provavelmente usam e são muitas vezes obtidos através de experiências com animais - gatos, macacos, coelhos, ratos, you name it...Isso a mim faz-me muito mais impressão que as touradas, mas são gostos.
Li na "Pública" do ultimo Domingo que existem cientistas que acreditam que as lagostas, os peixes e os moluscos afinal sentem dor. Se o conseguirem provar vou estar de ouvidos e olhos bem abertos...
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Vasco Granja (1925-2009)

Lembrar Vasco Granja é regressar aos momentos de infância sentado em frente ao velho televisor a ver aquela tão genuína extrema simpatia a falar connosco.
Lembrar Vasco Granja é recordar a partilha e o entusiasmo por aquelas geniais animações fora do comum, onde eramos obrigados a imaginar e a pensar. Onde mesmo que não entendesse nada daquilo, ficava a gostar na mesma. Eram animações cheias de força, imaginação, originalidade. Fora de tudo o que se via.
Vasco Granja tinha no ecrã um tipo de sensibilidade muito própria, que já não se vê, que muito provavelmente já não existe.
domingo, 10 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
A César o que é de César

Ia escrever que o Scolari de tão sortudo tão sortudo tão sortudo ia acabar por juntar uma Champions League ao seu curriculo, mas o FC Barcelona lá acabou por conseguir a final á custa de uma arbitragem ao nível de um Olegário Benquerença ou Bruno Paixão On The Rocks .
Foram quantos penalties por marcar a favor do Chelsea? Três, quarto? Torci efusivamente por um Barça espéctacular, não por um Barça batoteiro. Pelo que aconteceu hoje, a melhor equipa do mundo devia estar fora pelo génio táctico de Guus Hiddink. Ou então instituam-se pontos á espectacularidade ou a vitórias morais.
Isto se as regras do jogo fossem respeitadas, mas como sem o dinheiro sujo de Abramovich talvez o Chelsea estivesse a lutar para não descer de divisão, quero este ano o FC Barcelona Campeão Europeu.
Adenda: Daqui a uns dias o futebol, o Sporting e outros desportos passam a ser comentados aqui.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
O Che de Soderbergh (II)

Ao entrar-se na Segunda Parte retoma-se a marcha do filme. Como o regresso a um livro que se tenha interrompido por uns tempos.
Centrado directamente na Bolívia e omitindo o fracasso do Congo e as viagens pela Europa comunista, "Che II" volta a pôr Che Guevara no cerne da acção que realmente conta para a vitória e derrota da "Revolución" - a Guerrilha.
Muito falhou na Bolívia. A falta de apoio do Partido Comunista Boliviano, os erros individuais de muitos, incluíndo Che Guevara, que estranhamente não preparou as operações de forma conveniente, confiando numa vaga de fundo que nunca existiu, pelo contrário, da esperança logo se passou para o desespero e martirio. Do Che herói para o Che Martir, como Cristo pregador a Cristo crucificado
O "Che" de Soderbergh tal como "Barry Lindon" de Stanley Kubrick, joga com os dois lados de uma imagem. A Luz e a Sombra. O Positivo e o Negativo. A cor a esbater-se no branco final.
Todo o movimento de ascensão de Che Guevara como herói aqui se torna negação vertiginosa. O antigo exército de entusiastas passa a grupo de farrapos humanos. O processo de ascese é superiormente filmado com a imagem suja e a Câmara á mão a dar a noção do real desconforto, a encerrar-nos no Mato. Dolorosa e sofridamente vamos partilhando a mesma poeira da guerrilha. Com o Céu e o Inferno lá dentro.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
O meu Sporting


Para o bem e para o mal, Filipe Soares Franco continua a ser o meu Presidente. Com todos os seus defeitos e coisas que detesto, a linha iniciada por José Roquette é o melhor caminho para o futuro do Sporting. Foi o melhor no passado, é-o no presente e acredito também que é o único caminho viável para um futuro que se prevê muito difícil. Quase crítico.
Depois de década e meia a penar em terceiros e quarto lugares, sob presidências como a de Jorge Gonçalves, Amado de Freitas (que não teve culpa nenhuma)e Sousa Cintra, o Sporting chegou ao patamar de eterno derrotado sob as eternas promessas de aventureiros do golpe e do protagonismo.
Foi com José Roquette que o Sporting ganhou um rumo. Devemos honestamente reconhecer e agradecê-lo. Com o caminho iniciado por Roquette o Sporting ganhou títulos, bateu records (2 campeonatos, 3 Taças de Portugal, umas quantas supertaças, uma Final da Taça Uefa e vários apuramentos para a Liga dos Campeões), construiu um magnífico estádio, uma academia que é a melhor da Europa, tornou-se a melhor escola de formação de jogadores de futebol do mundo(com a particularidade de os obrigar a estudar até ao 12ºano), teve o necessário saneamento financeiro, ganhou credibilidade, ganhou RESPEITO! Com méstria, paciência, saber, garra, e infelizmente, a ajuda dos bancos. É aos bancos que temos de pagar uma enormidade ao ano. Precisámos deles. Paciência. Somos sérios. É a vida.
Isabel Trigo Mira, Dias da Cunha e outros dizem que o Sporting vai passar a ser dos accionistas e deixar de ser dos sócios. Acreditam que Sporting e Sporting SAD sejam duas entidades diferentes. Têm medo que alguma vez um clube como o Sporting caia nas mãos de um aventureiro endinheirado sem que os adeptos tenham o poder supremo de decisão. Tudo queixas a ter em conta. Realmente sabem pegar no medo dos sportinguistas...
Pena é que não tenham o mesmo receio do clube ficar em completa insolvência, sem confiança, nome ou força, entregue à rua e ao Deus dará. Dependente de esmolas, quotas e pouco mais. Aí gostava aí de ver o Dr. Dias da Cunha a mandar baboseiras na televisão. Como o não vi no tempo em que ninguém queria pegar no Sporting a não ser a pior ralé do dirigismo. Com muitos sócios, muita mística, zero títulos e sem o "tirano" do Filipe Soares Franco, que vejam lá, vai fazer o Sporting desaparecer em 10 anos, palavras de António Dias da Cunha. Só podiam mesmo vir com essa, para não nos lembrarmos dos tempos da "peixeirada", do "pró ano é que é". Tempos em que não os vi a mexer uma palha enquanto perdíamos em grande e em toda a linha. Se calhar razão tem José Roquette quando diz que "oposição não tem alternativas, acha que a solução é não pagar".
quinta-feira, 9 de abril de 2009
O Che de Soderbergh

Mais cinema que biopic, mais Robert Bresson que Oliver Stone, gostei muito da contenção, sujidade e rudeza de "Che, O Argentino". Filme honesto e esforço cinematograficamente estimulante, o realizador Steven Soderbergh é muito cuidadoso na forma como aborda os temas óbvios do filme: os ideiais e a génese de todo o movimento revolucionário cubano e por outro lado os fuzilamentos e a dura disciplina necessária a uma revolução de contornos ideológicos absolutos.
Nos dois pratos da balança, Che Guevara sai no filme claramente beneficiado, sem lugar a excessivos entusiasmos. "O Argentino" (ainda não vi a 2ª parte)é um filme fechado e é um filme deste tempo.Ponto.
É por ter um lado mítificador que Che Guevara se tornou um personagem tão universalmente interessante. No seu ideal pode dar azo a váriadas interpretações. O actor Benício Del Toro dá a Guevara uma versão autêntica daquilo que pode ter sido em vida, dentro da linguagem própria do filme que quer criar dali o seu próprio objecto cinematográfico, mais que um objecto histórico. Benício "acredita" como acreditaria se estivesse ali naquelas circunstancias. Não actua como se acreditasse.
Talvez muitos pensem que o "O Argentino" se fecha um pouco num certo vazio e não tenha o corpo e a dimensão que o acontecimento da Revolução Cubana pedia. Eu penso que é precisamente aí que está o interesse do filme como cinema: é um filme narrativa sem antes nem depois, apesar de todas as cambalhotas e flashbacks. Existe o que se mostra e daí vamos decompondo o nosso Che Guevara, dentro da guerrilha e nos diferentes "tempos presentes" a sobreporem-se uns aos outros. É narrativamente primorimorosa a forma como vai sendo alternado o Che guerrilheiro, com Che no seu discurso das Nações Unidas para regressar ao Che alfabetizador e por aí fora. Sem ponta de pretensão, seco, cru, fazendo-nos sentir a poeira e sujidade da terra, "Che,O Argentino" é um filme que se sabe pensar a si mesmo. (Continua...)
Stone Roses
Um dos clássicos dos clássicos já faz 20 anos. Quem ainda se lembra que os Roses eram a maior promessa de banda desde os Beatles?
domingo, 22 de março de 2009
Lucílio Baptista
Não o vejo neste vídeo de cima. Provavelmente estará desactualizado, o vídeo... Não, é apenas uma brincadeira de mau gosto para não dizer que Lucílio Baptista, benfiquista assumido, está na sua ultima época e não quis perder a ultima oportunidade de jogar pelo seu clube do coração.
Se eu fosse dirigente do Sporting, na próxima época punha a jogar os juniores na Taça da Liga... Para boi, boi e meio.
Uma coisa é certa, Hermínio Loureiro acabou de perder o único clube que levou a sério as duas edições da prova. Se no ano passado o Sporting perdeu a final em penaltis, este ano perdeu-a por decreto. E viva o Benfica, meus amigos. Razão tinha Pinto da Costa em cuspir numa prova deste calibre.
Adenda: Desde hoje sou um admirador de Pedro Silva, quem se expõe assim só pode ser uma pessoa de confiança.
sábado, 21 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
Red Belt
Chegado ao vídeo sem passar pelos cinemas "Red Belt" é o ultimo e surpreendente filme de David Mamet. Sobre um assunto que me é caro, as artes marciais, neste caso o Jujitsu Brasileiro, que pratiquei algumas vezes.
David Mamet é mais simples e straightforward que ultimamente, conhecendo melhor aquilo que pretende para além do jogo labirintico do enredo. Praticante de Jujitsu brasileiro há 5 anos, Mamet consegue tocar em vários temas de uma vez, enquanto põe a trabalhar um heist movie qb para nos baralhar completamente as contas . Mais, "Red Belt" é o primeiro fight movie da história do cinema a tocar no tema do Jujitsu Brasileiro, o que em si é não só inédito como também de aplaudir. Surpreendente para mim é que uma arte e filosofia tão ricas como o Budo se conheçam no ocidente apenas de filmes de Akira Kurowasa e ramificações.
O Jujitsu brasileiro é a arte marcial onde a flexibilidade é a chave do sucesso e a rígidez a morte do artista. Tudo se joga com a capacidade de adaptação e antecipação do movimento em relação ao oponente. Até ao KO final. Qual xadrez corporal com o seu inevitável cheque mate.
O Jujitsu é a base por onde Mamet trabalha o filme, num enredo onde a harmonia do Dojo é subvertida pela pervesidade do mundo exterior, misturando-se aqui a temática das artes marciais com a negritude dos filmes de luta como"O Touro Enraivecido" de Martin Scorsese.
O final, impossível de antecipar, é o único buraco ou centelha de luz por onde o heroi do filme poderia passar. Surpreendendo-nos como um movimento de jujitsu que nos salve intuitivamente do inevitável estrangulamento.
"Red Belt" conta ainda com excelentes interpretações, em especial do protagonista Chiwetel Ejiofor, ritmo inebriante e a capacidade rara de me fazer entusiasmar com um filme. Aluguem-no, já que não o podem ver numa sala de cinema.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Madrugada
Fausto Bordalo Dias como Arthur Lee. Mesmo assim sempre Fausto, o que torna a canção ainda mais intrigante.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Pior que a vergonha
Depois de com muita polícia à mistura terem fugido de 50 adeptos por uma porta dos fundos do aeroporto e de terem feito o mesmo no parque de estacionamento do Estádio de Alvalade, Paulo Bento e os seus meninos vão deixando as ondas de choque passarem... Hoje lá há treininho, depois há de haver uma conferência de imprensa de antevisão do próximo jogo do género "temos de saber reagir à adversidade, ficámos envergonhados mas há que seguir em frente, estamos na luta etc e tal " e já está. Com sorte ainda se ganha daqui a uma semana ao Benfica na Final da Taça da Liga e fica tudo varrido para debaixo do tapete.
Depois com ajuda de alguns adeptos panhonhas que justificam o descalabro de Munique com a diferença de orçamentos como se o Braga tivesse levado do Bayern o ano passado 25 a 0. E pronto, saem por cima do dano que causaram: a maior vergonha da história do Sporting Clube de Portugal.
Junte-se a isto o carreirismo militante de mais de metade daquele plantel e temos os ingredientes para a mesmísse do costume de um clube que talvez esteja a perder a sua mística de modo irreversível.
Espero estar totalmente errado mas para isso só existe uma hipótese: demitir já o treinador Paulo Bento - que merece toda a gratidão, consideração e respeito - como medida de exemplo do orgulho leonino e como prevenção para bandalheiras futuras. Desde já auto suspendo-me como adepto e sócio pagante do Sporting até que essa medida seja tomada. Pior que a falta de vergonha é brincar-se com as pessoas.
Depois com ajuda de alguns adeptos panhonhas que justificam o descalabro de Munique com a diferença de orçamentos como se o Braga tivesse levado do Bayern o ano passado 25 a 0. E pronto, saem por cima do dano que causaram: a maior vergonha da história do Sporting Clube de Portugal.
Junte-se a isto o carreirismo militante de mais de metade daquele plantel e temos os ingredientes para a mesmísse do costume de um clube que talvez esteja a perder a sua mística de modo irreversível.
Espero estar totalmente errado mas para isso só existe uma hipótese: demitir já o treinador Paulo Bento - que merece toda a gratidão, consideração e respeito - como medida de exemplo do orgulho leonino e como prevenção para bandalheiras futuras. Desde já auto suspendo-me como adepto e sócio pagante do Sporting até que essa medida seja tomada. Pior que a falta de vergonha é brincar-se com as pessoas.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Ganhar a bem
Foi uma bela e merecida vitória. Apenas falhei o autor de um golo. Em vez de Vukcevic, foi o grande Derlei e o resultado apenas pecou por muito escasso para a esmagadora superioridade da exibição do Sporting.
O arbitro Olegário Benquerença é um dos grandes perdedores do jogo. Não é agora na altura da vitória que devemos ter esquecimentos...Houve de facto dois penalties não marcados contra o Benfica e Olegário pecou demasiado na forma como apitava cada corte do Sporting na zona do meio campo perto da grande área. Não podiamos desarmar nenhum jogador do SLB, porque lá estava ele, de apito na boca pronto a marcar falta, não fosse a equipa de Quique Flores eximia em lances de bola parada... Cada corte cada falta. Mesmo a propósito, ou se quiserem, de propósito. Ele bem tentou, acreditem, mas não conseguiu.
Porém nós já estamos calejados e habituados a ganhar também a criaturas como ele. E o Benfica de tão fraco não o deixou roubar mais. Deve-se ter sentido absolvido por isso. Nós pessoalmente temos mais orgulho em ganhar assim: sem espinhas na garganta ou direito a segundas interpretações. Não é por nada, mas ser sportinguista é também isso. Ganhar a bem.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Não é Javier Zanetti quem quer
Veja-se Javier Zannetti neste vídeo musical interista de há 5 anos e tirando Ivan Cordoba, Marco Materrazzi ou o suplente Toldo já não está lá mais ninguém nos dias de hoje. É que os jogadores inevitáveis são craques mas acima de tudo amam os seus clubes. Muito para além das experiências. Ultrapassando as listas de dispensas e as tentações do "momento". Ficam como simbolos ou bandeiras para a eternidade. Tal como pode acontecer com John Terry ou Maldini, quando quero inspirar-me num jogador de futebol, penso em "il capitano" e sonho voltar a ter no meu Sporting um jogador como ele ou como o nosso eterno 9, o Manel, Manuel Fernandes.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Domingo Desportivo




De cima para baixo a minha ordem de preferência. Sendo que não vi a final do Australian Open. De resto, o Super Bowl visto pela primeirissima vez, encheu-me totalmente as medidas. Emocionante, épico, desconcertante, espectacular. Na Sports Illustrated foi considerado por alguns como o melhor de sempre. Sorte ou não, de agora em diante sou mais um adepto da NFL.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Ao sabor do tempo
sábado, 24 de janeiro de 2009
Não são delírios
E eis que passados três dias, a notícia em destaque no post abaixo é categoricamente desmentida pelo jogador. Encontra-se o desmentido aqui e aqui. O jornal "A Bola" até ao momento não deu ao mesmo qualquer destaque, nem na sua capa, nem na edição on line (pelo menos até ás 14h05 do dia de hoje). O que não será apenas incompetência, é que a fonte é o sitio oficial do Sporting. O meu post anterior foi apenas ingénuo, não eram "delírios", era benfiquismo mesmo...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Delirios
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Os 4 caminhos
Na vida há quatro caminhos possíveis. Ou se é o Paul McCartney, ou se é o John Lennon, ou se é o George Harrison, ou se é o Ringo Starr. A mim parece-me claro (mas isso digo eu que sou uma pessoa religiosa). O caminho certo é ser o George Harrison.
(Tiago Cavaco, Voz do Deserto)
(Tiago Cavaco, Voz do Deserto)
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Do cinema
"Eitel pensava com fúria em todas as pessoas que conhecera ao longo dos anos e no desprezo que elas sentiam pelo cinema. Sim, o cinema era uma arte desprezível, uma arte italiana do século XV, em que, para conseguir alguma coisa, havia necessidade de conhecer a maneira de adular princesas e lamber as plantas dos pés a condottieri, saber urdir intrigas e organizar as artimanhas, pronunciar a pequena frase perigosa e, de uma maneira ou de outra, enganar toda a gente, exagerar os compromissos assumidos e ocultar as suas convicções até ao momento em que se pode manifestar uma delas, sem que sofresse qualquer represália, e, cinco séculos depois, na segurança de um museu, os turistas passariam obedientemente e murmurariam: "Que estupendo artista! Deve ter sido um grande homem! Repare-se nas expressões perversas dos rostos desses aristocratas..."
Norman Mailer, O Parque dos Veados
(Lisboa: Livros do Brasil, 1986; tradução de Eduardo Saló;Obra original: The Deer Park, 1955,1959)
Norman Mailer, O Parque dos Veados
(Lisboa: Livros do Brasil, 1986; tradução de Eduardo Saló;Obra original: The Deer Park, 1955,1959)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Valeram os cães

Muito fraca a cerimónia dos Globos de Ouro. Pela quantidade de baldas (Sean Penn, Javier Bardem, Woody Allen, etc e etc), pelos prémios a cheirarem a agenda comercial, e pelo ridiculo das situações criadas onde cada "piadinha" mandada ao microfone parecia tentar ser mais desastrada que a anterior.
Teve alguns aspectos curiosos a registar. Entre os menos positivos destaco a cara de Tom Cruise a encaixar mal a piada do "envelhecimento ao contrário de Sasha Barron Cohen a propósito "The Curious Case of Benjamin Button" de David Fincher - na mouche dir-se ia; a constatação de que analfabetos como Puff Daddy continuam exactamente na mesma; Kate Winslet a roçar o rídiculo de uma principiante ao receber histérica o 2ºGlobo de Ouro, simpatizo com ela, mas podia-nos ter livrado do espectáculo. Danny Boyle , o sofrível realizador de Trainspotting, a ganhar prémios com a sua nova jogada comercial, agora na India. Tem a seta apontada para os Oscares, se o seu lobby continuar á altura.
Safou-se o Globo de Ouro póstumo para o excelente Heath Ledger. Steve Spielberg com o merecido Prémio de carreira. E o regressado Michey Rourke a saber vencer, com um discurso digno, genuino, sentido e temperado com a tirada da noite, "quero agradecer a todos os meus cães". Foi a réstia de esperança.
Em baixo o registo dos Prémios:
~Lista dos Prémios – Cinema
Melhor filme (Drama): “Slumdog Millionaire”
Melhor realizador: Danny Boyle, “Slumdog Millionaire”
Melhor Actriz (Drama): Kate Winslet, “Revolutionary Road”
Melhor Actor (Drama): Mickey Rourke, “The Wrestler”
Melhor filme (Comédia ou Musical): “Vicky Cristina Barcelona”
Melhor Actriz (Comédia ou Musical): Sally Hawkins, “Happy Go Lucky”
Melhor Actor (Comédia ou Musical): Colin Farrell, “In Bruges”
Melhor argumento: “Slumdog Millionaire”
Melhor Actor Secundário: Heath Ledger, “Batman, o Cavaleiro das Trevas”
Melhor Actriz Secundária: Kate Winslet, “The Reader”
Melhor filme estrangeiro: “Valsa com Bashir”, Israel
Melhor filme de animação: “Wall-E”
Melhor Banda Sonora Original: “Slumdog Millionaire”
Melhor Canção Original: Bruce Springsteen por “The Wrestler”
Lista dos prémios – Televisão
Melhor Série Dramática - Mad Man
Melhor Actriz (Drama) - Anna Paquin, “True Blood
Melhor Actor (Drama) - Gabriel Byrne, “In Treatment”
Melhor Série Musical ou Comédia – “30 Rock”
Melhor Actriz (Musical ou Comédia) - Tina Fey (30 Rock)
Melhor Actor (Musical ou Comédia) - Alec Baldwin (30 Rock)
domingo, 11 de janeiro de 2009
O bom do MEC

Muito ganha o "Público" com as novas crónicas diárias de Miguel Esteves Cardoso. Em cada dia, sai uma "iguaria". Grande escrita, tiradas de(o) génio, enorme inteligência, humor finíssimo. Sei lá que mais. Sobram adjectivos, e a falta que MEC nos fazia.
Com a devida vénia, não resisto a reproduzir isto, tem dedicatória.
"Durante décadas, quando ser consumidor era praticamente o mesmo que ser comunista, guiávamo-nos todos por uma tabela que por cá nunca falhava: estrangeiro=melhor=mais caro.
Quem fosse pobre ou tivesse um carinho fascista pela mediocridade, comprava nacional. Ou, pela calada, pedia a um fascista amigo para trazer do estrangeiro, onde era sempre mais barato.
Hoje, esta regra está sob ataque. Nas frutarias e sapatarias; nos Aldis e Lídeis; o nacional é que é bom; o nacional é que é mais caro; o nacional é que é o único que se "pode levar à vontade."
Todo um sistema de valores se inverteu. A nossa moe-da já vale tanto como uma libra esterlina; os dólares, tal como a libra livreira, começam a tornar-se uma memória distante, do Cinema. Mas só ontem é que a velha hierarquia veio abaixo. Lia-se na página 30 do PÚBLICO: o SG Filtro vai passar a ser mais caro do que o Marlboro. Sim, o baixote e ordinareco SG Filtro de Xabregas, que eu comprava quando não tinha dinheiro para o Marlboro comprido e show off da Virgínia, dos filmes e da Fórmula 1, vai ser o cigarro de quem quer fazer-se passar por cosmopolita e milionário.
Já estou a ver os anúncios, caso os permitissem: "Sim, sou um oligarca russo - fumo SG Filtro à fartazana!". Ou: "Não é por estar desempregado que dispenso o cigarrinho: vai sempre um Márlubóro enquanto estou na bicha para a sopa; ai nanas!".
Espero bem que os fascistas estejam satisfeitos. "
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