sexta-feira, 17 de abril de 2009

O meu Sporting



Para o bem e para o mal, Filipe Soares Franco continua a ser o meu Presidente. Com todos os seus defeitos e coisas que detesto, a linha iniciada por José Roquette é o melhor caminho para o futuro do Sporting. Foi o melhor no passado, é-o no presente e acredito também que é o único caminho viável para um futuro que se prevê muito difícil. Quase crítico.
Depois de década e meia a penar em terceiros e quarto lugares, sob presidências como a de Jorge Gonçalves, Amado de Freitas (que não teve culpa nenhuma)e Sousa Cintra, o Sporting chegou ao patamar de eterno derrotado sob as eternas promessas de aventureiros do golpe e do protagonismo.
Foi com José Roquette que o Sporting ganhou um rumo. Devemos honestamente reconhecer e agradecê-lo. Com o caminho iniciado por Roquette o Sporting ganhou títulos, bateu records (2 campeonatos, 3 Taças de Portugal, umas quantas supertaças, uma Final da Taça Uefa e vários apuramentos para a Liga dos Campeões), construiu um magnífico estádio, uma academia que é a melhor da Europa, tornou-se a melhor escola de formação de jogadores de futebol do mundo(com a particularidade de os obrigar a estudar até ao 12ºano), teve o necessário saneamento financeiro, ganhou credibilidade, ganhou RESPEITO! Com méstria, paciência, saber, garra, e infelizmente, a ajuda dos bancos. É aos bancos que temos de pagar uma enormidade ao ano. Precisámos deles. Paciência. Somos sérios. É a vida.
Isabel Trigo Mira, Dias da Cunha e outros dizem que o Sporting vai passar a ser dos accionistas e deixar de ser dos sócios. Acreditam que Sporting e Sporting SAD sejam duas entidades diferentes. Têm medo que alguma vez um clube como o Sporting caia nas mãos de um aventureiro endinheirado sem que os adeptos tenham o poder supremo de decisão. Tudo queixas a ter em conta. Realmente sabem pegar no medo dos sportinguistas...
Pena é que não tenham o mesmo receio do clube ficar em completa insolvência, sem confiança, nome ou força, entregue à rua e ao Deus dará. Dependente de esmolas, quotas e pouco mais. Aí gostava aí de ver o Dr. Dias da Cunha a mandar baboseiras na televisão. Como o não vi no tempo em que ninguém queria pegar no Sporting a não ser a pior ralé do dirigismo. Com muitos sócios, muita mística, zero títulos e sem o "tirano" do Filipe Soares Franco, que vejam lá, vai fazer o Sporting desaparecer em 10 anos, palavras de António Dias da Cunha. Só podiam mesmo vir com essa, para não nos lembrarmos dos tempos da "peixeirada", do "pró ano é que é". Tempos em que não os vi a mexer uma palha enquanto perdíamos em grande e em toda a linha. Se calhar razão tem José Roquette quando diz que "oposição não tem alternativas, acha que a solução é não pagar".

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Che de Soderbergh


Mais cinema que biopic, mais Robert Bresson que Oliver Stone, gostei muito da contenção, sujidade e rudeza de "Che, O Argentino". Filme honesto e esforço cinematograficamente estimulante, o realizador Steven Soderbergh é muito cuidadoso na forma como aborda os temas óbvios do filme: os ideiais e a génese de todo o movimento revolucionário cubano e por outro lado os fuzilamentos e a dura disciplina necessária a uma revolução de contornos ideológicos absolutos.
Nos dois pratos da balança, Che Guevara sai no filme claramente beneficiado, sem lugar a excessivos entusiasmos. "O Argentino" (ainda não vi a 2ª parte)é um filme fechado e é um filme deste tempo.Ponto.
É por ter um lado mítificador que Che Guevara se tornou um personagem tão universalmente interessante. No seu ideal pode dar azo a váriadas interpretações. O actor Benício Del Toro dá a Guevara uma versão autêntica daquilo que pode ter sido em vida, dentro da linguagem própria do filme que quer criar dali o seu próprio objecto cinematográfico, mais que um objecto histórico. Benício "acredita" como acreditaria se estivesse ali naquelas circunstancias. Não actua como se acreditasse.
Talvez muitos pensem que o "O Argentino" se fecha um pouco num certo vazio e não tenha o corpo e a dimensão que o acontecimento da Revolução Cubana pedia. Eu penso que é precisamente aí que está o interesse do filme como cinema: é um filme narrativa sem antes nem depois, apesar de todas as cambalhotas e flashbacks. Existe o que se mostra e daí vamos decompondo o nosso Che Guevara, dentro da guerrilha e nos diferentes "tempos presentes" a sobreporem-se uns aos outros. É narrativamente primorimorosa a forma como vai sendo alternado o Che guerrilheiro, com Che no seu discurso das Nações Unidas para regressar ao Che alfabetizador e por aí fora. Sem ponta de pretensão, seco, cru, fazendo-nos sentir a poeira e sujidade da terra, "Che,O Argentino" é um filme que se sabe pensar a si mesmo. (Continua...)

Stone Roses


Um dos clássicos dos clássicos já faz 20 anos. Quem ainda se lembra que os Roses eram a maior promessa de banda desde os Beatles?