quinta-feira, 21 de maio de 2009

João Bénard da Costa


João Benard da Costa deixa de alguma forma orfão o cinema português. Era aquele a quem todos olhávamos de baixo, como num plano contrapicado. Do Cinema que o apaixonava ensinava-nos a vê-lo, a pensá-lo, a interpretá-lo, a sermos mais cinéfilos.
Das coisas que sempre me irei lembrar na vida eram aquelas folhas A4 da Cinemateca que eram ao mesmo tempo crónicas e crítica cinematográfica. Nunca as lia antes do filme. Era lidas depois, como uma sobremesa. Mas eram muito mais que uma sobremesa. Eram outro filme dentro do filme. Autênticos segredos que João Benard da Costa nos revelava, aumentando o nosso fascínio pela Sétima Arte.
João Benard da Costa foi também um grande escritor. Os textos que conheci publicados no jornal "Público" mostravam um homem cultíssimo, sábio, de uma dimensão gigantesca e dono de uma escrita ao nível da grande literatura.
João Benard da Costa foi um homem superior e criou uma Cinemateca que orgulha qualquer lisboeta ou português que se preze. É uma enorme perda para Portugal, para a cultura portuguesa e para o Cinema. Os Mestres não se esquecem.

domingo, 17 de maio de 2009

A Direita é a minha bússula

Ficar chocado com a glorificação de Che Guevara, num contexto e circunstâncias históricas muito próprias, passadas há 50 anos e nem sequer verter um caracter escrito do mesmo "choque" quando Che é comparado a Hitler é todo um programa. Todo um programa. Eu que me encontro mais à direita que o meu companheiro de blogue descubro-me com a esquerda nestas coisas. Já estou como Miguel Sousa Tavares "descubro que sou de esquerda quando oiço a direita a falar". Vou até mais longe, para mim a direita é a minha bússola. É sempre bom ter uma bússola. Che Guevara foi um personagem controverso? Sim. Assassinou gente na revolução?Também. Acreditava na ditadura do proletariado e numa igualdade que eu não subscrevo? Idem. Mas daqui a transformar o homem num calígula sanguinário ou ousar mesmo que levianamente compará-lo a Hitler vai uma certa distância. Talvez patológica, para não ir mais longe. Isto para dizer que esta entrevista e este post são um nojo. O sentido das proporções realmente não se coaduna com clubites partidárias. Neste caso, coitadas das clubites da bola que não têm culpa nenhuma...

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Verdadeira Tourada


Uma coisa que me irrita nesta polémica dos animais de circo e das touradas é a tendência tão irritante como estúpida de tentarmos mandar nas capelinhas uns dos outros. Então em Sintra devém sentir-se uns Civilizadores. Logo o Concelho de Sintra, com as suas centenas de problemas delicadíssimos, começando pelos cancerígenos Cabos de Muito Alta Tensão a céu aberto no Cacém, até aos brutais níveis de marginalidade, delinquência e violência que qualquer dia podem explodir em qualquer coisa de terrível.
Tenho a dizer que aprecio touradas quando as vejo e sinto repulsa pelo Circo: repugna-me com animais, com trapezistas ou com os tristes palhaços. São gostos.
As Touradas são números de uma enorme emoção, mística e espectacularidade. Rituais de tragédia e dor mas também de beleza e verdadeiro heroísmo. É simplesmente estúpido e ignorante reduzi-las a um número de barbarie ou dizer que é mera diversão à custa do touro. É mais um reflexo desta superficialidade que nos corrói. Se tirassem os olhos obstinados daquilo que os repugna e é fácil de atacar com o colete à prova de balas do politicamente correcto, veriam que a carne de porco e de vaca que comem - nem falemos das galinhas e afins... - é obtida através de formas de matança muito mais violentas e bárbaras do que aquilo que imaginam. Depois de uma vida miserável, sem um palmo de terra para se mexerem e alimentados a rações de químicos. Arrisco dizer, vivendo muito pior do que qualquer touro que tenha nascido até agora no planeta Terra.
Podiam também olhar para alguns produtos de cosmética, cremes ou perfumes que muito provavelmente usam e são muitas vezes obtidos através de experiências com animais - gatos, macacos, coelhos, ratos, you name it...Isso a mim faz-me muito mais impressão que as touradas, mas são gostos.
Li na "Pública" do ultimo Domingo que existem cientistas que acreditam que as lagostas, os peixes e os moluscos afinal sentem dor. Se o conseguirem provar vou estar de ouvidos e olhos bem abertos...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Vasco Granja (1925-2009)


Lembrar Vasco Granja é regressar aos momentos de infância sentado em frente ao velho televisor a ver aquela tão genuína extrema simpatia a falar connosco.
Lembrar Vasco Granja é recordar a partilha e o entusiasmo por aquelas geniais animações fora do comum, onde eramos obrigados a imaginar e a pensar. Onde mesmo que não entendesse nada daquilo, ficava a gostar na mesma. Eram animações cheias de força, imaginação, originalidade. Fora de tudo o que se via.
Vasco Granja tinha no ecrã um tipo de sensibilidade muito própria, que já não se vê, que muito provavelmente já não existe.

domingo, 10 de maio de 2009

NOVA IORQUE


Cidade dos Deuses. Conferir aqui. De cortar a respiração.

(Via O Jansenista)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A César o que é de César


Ia escrever que o Scolari de tão sortudo tão sortudo tão sortudo ia acabar por juntar uma Champions League ao seu curriculo, mas o FC Barcelona lá acabou por conseguir a final á custa de uma arbitragem ao nível de um Olegário Benquerença ou Bruno Paixão On The Rocks .
Foram quantos penalties por marcar a favor do Chelsea? Três, quarto? Torci efusivamente por um Barça espéctacular, não por um Barça batoteiro. Pelo que aconteceu hoje, a melhor equipa do mundo devia estar fora pelo génio táctico de Guus Hiddink. Ou então instituam-se pontos á espectacularidade ou a vitórias morais.
Isto se as regras do jogo fossem respeitadas, mas como sem o dinheiro sujo de Abramovich talvez o Chelsea estivesse a lutar para não descer de divisão, quero este ano o FC Barcelona Campeão Europeu.

Adenda: Daqui a uns dias o futebol, o Sporting e outros desportos passam a ser comentados aqui.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Che de Soderbergh (II)


Ao entrar-se na Segunda Parte retoma-se a marcha do filme. Como o regresso a um livro que se tenha interrompido por uns tempos.
Centrado directamente na Bolívia e omitindo o fracasso do Congo e as viagens pela Europa comunista, "Che II" volta a pôr Che Guevara no cerne da acção que realmente conta para a vitória e derrota da "Revolución" - a Guerrilha.
Muito falhou na Bolívia. A falta de apoio do Partido Comunista Boliviano, os erros individuais de muitos, incluíndo Che Guevara, que estranhamente não preparou as operações de forma conveniente, confiando numa vaga de fundo que nunca existiu, pelo contrário, da esperança logo se passou para o desespero e martirio. Do Che herói para o Che Martir, como Cristo pregador a Cristo crucificado
O "Che" de Soderbergh tal como "Barry Lindon" de Stanley Kubrick, joga com os dois lados de uma imagem. A Luz e a Sombra. O Positivo e o Negativo. A cor a esbater-se no branco final.
Todo o movimento de ascensão de Che Guevara como herói aqui se torna negação vertiginosa. O antigo exército de entusiastas passa a grupo de farrapos humanos. O processo de ascese é superiormente filmado com a imagem suja e a Câmara á mão a dar a noção do real desconforto, a encerrar-nos no Mato. Dolorosa e sofridamente vamos partilhando a mesma poeira da guerrilha. Com o Céu e o Inferno lá dentro.