
Uma coisa que me irrita nesta polémica dos animais de circo e das touradas é a tendência tão irritante como estúpida de tentarmos mandar nas capelinhas uns dos outros. Então em Sintra devém sentir-se uns Civilizadores. Logo o Concelho de Sintra, com as suas centenas de problemas delicadíssimos, começando pelos cancerígenos Cabos de Muito Alta Tensão a céu aberto no Cacém, até aos brutais níveis de marginalidade, delinquência e violência que qualquer dia podem explodir em qualquer coisa de terrível.
Tenho a dizer que aprecio touradas quando as vejo e sinto repulsa pelo Circo: repugna-me com animais, com trapezistas ou com os tristes palhaços. São gostos.
As Touradas são números de uma enorme emoção, mística e espectacularidade. Rituais de tragédia e dor mas também de beleza e verdadeiro heroísmo. É simplesmente estúpido e ignorante reduzi-las a um número de barbarie ou dizer que é mera diversão à custa do touro. É mais um reflexo desta superficialidade que nos corrói. Se tirassem os olhos obstinados daquilo que os repugna e é fácil de atacar com o colete à prova de balas do politicamente correcto, veriam que a carne de porco e de vaca que comem - nem falemos das galinhas e afins... - é obtida através de formas de matança muito mais violentas e bárbaras do que aquilo que imaginam. Depois de uma vida miserável, sem um palmo de terra para se mexerem e alimentados a rações de químicos. Arrisco dizer, vivendo muito pior do que qualquer touro que tenha nascido até agora no planeta Terra.
Podiam também olhar para alguns produtos de cosmética, cremes ou perfumes que muito provavelmente usam e são muitas vezes obtidos através de experiências com animais - gatos, macacos, coelhos, ratos, you name it...Isso a mim faz-me muito mais impressão que as touradas, mas são gostos.
Li na "Pública" do ultimo Domingo que existem cientistas que acreditam que as lagostas, os peixes e os moluscos afinal sentem dor. Se o conseguirem provar vou estar de ouvidos e olhos bem abertos...