quarta-feira, 17 de junho de 2009

Dos Açores a voar


Atrás do meu clube e dos chás Gorreana, a Sata é bem capaz de ser a minha marca portuguesa favorita. E agora com o novo logótipo, continua a ser bem a imagem dos Açores: a discrição aliada à excelência do melhor e mais genuíno. O voo do silêncio.

terça-feira, 16 de junho de 2009

De Formula 1 a Formula 0



Com a redução de orçamentos prevista, talvez algum dia aquela oficina ali na Correira Teles concorra para ter um carro na Fórmula 1. É que os reguladores da FIA à força de tanto inventarem de ano para ano, aborreceram-se de simplesmente inventar. Acharam que assim deixavam tanto de dar nas vistas. Vai então que decidem inventar mesmo a sério e agora a Formula 1 será para (quase) todos. Por causa da crise e para aumentar a competividade, dizem eles. Esqueceram-se do resto e do mais importante, a mística da modalidade com as suas equipas, adeptos e rivalidades e o facto da Formula 1 ser um autêntico laboratório de tecnologia automóvel de ponta, tendo andado a par com a história da industria desde a sua formação. Não foi concerteza á custa de tectos orçamentais que o conseguiu.
A Formula 1 sempre foi uma genuína fábrica de heróis e mitos, que são no fundo os melhores pilotos e por isso correm nas melhores equipas, como em muitos desportos no qual o futebol é um bom exemplo. É ridículo reduzi-la agora por auto-recriação a uma competição algures entre o Nascar e o Karting com a aparência de Formula 3000. Só tenho pena que as espertas criaturas da FIA não inventassem uma outra coisa: um novo nome para a modalidade. E deixavam a Formula 1 para os malucos que não são burocratas como eles. Acho que não o fizeram porque assim provavelmente iam-se aborrecer. Como diz o outro, "eles querem é aparecer...".
Não seja por isso caros burocratas,vejam este video acima, nada mais que um lendário duelo entre o malogrado Gilles Villeneuve e René Arnoux e talvez deixem de nos chatear tanto a nós no tédio das vossas vidas que pelos vistos devem ser mesmo muito aborrecidas.
Ou então pensem no que seria no Futebol uma Portuguesa sem o Sporting, a Liga Espanhola sem o Real Madrid, uma Liga Alemã sem Bayern ou uma Liga Italiana sem Juventus, ou mudem para o Basquetebol e pensem numa NBA sem os Lakers ou num Basebol sem uns New York Yankees. Algo do género: o orçamento não ultrapassa as três tutas e meia e podem concorrer (quase)todos. Pois é isso mesmo que pretendem para a Formula 1 ás custas de quem fez crescer a modalidade.
Como nada vem ao acaso, se calhar mesmo que inconscientemente, mudaram desde há uns tempos as corridas para o Dubai, para a Malásia, China, corridas à noite, etc. Foi para preparar o terreno. Para que surjam novos adeptos, de preferencia que não conheçam bem quem foi Senna, Prost, Fangio ou Niki Lauda. Assim sempre será melhor para sustentar a modalidade e encher os bolsos depois dos chatos da Ferrari se irem embora...
Temo bem que não. A encarnação da cristalina estupidez das criaturas acabará por desaguar no óbvio: sem Ferrari a Formula 1 acabará num ápice, mais depressa do que quando começou. Se bem que o chairman ache que não.

Adenda: À cautela as verdadeiras e grandes equipas de Formula 1 começaram já a organizar-se. Exceptuando a Williams estão lá entre outras a Ferrari, A McLaren-Mercedes, a Renault, a Brawn, a Toyota, etc.
Parece que teremos a real Formula 1 com outro nome, enquanto que os senhores da FIA terão a sua modalidade a chamar-se Formula 1 com um nível do interesse e adesão de uma Formula Turismo qualquer. Das duas uma, ou dão com o braço a torcer e mostram a nu a sua cristalina inutilidade ou então lá se vai o dinheirinho. É bem feito.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vitória à Esquerda

O PSD não tem muito por onde puxar os galões da vitória. Ficou á frente mas teve o um resultado semelhante à sua maior derrota em termos de significado da sua história. Manteve praticamente o mesmo eleitorado da derrocada de há 4 anos com Santana Lopes, e isto com um PS em queda livre. Não me parece um resultado nada extraordinario, mas contra factos não há argumentos. O PSD seria Governo se as eleições de hoje tivessem sido as legislativas. Não foram e o PSD tem todo o caminho para percorrer, se bem que com outra força, outra moral e outra energia. Do Partido Socialista não me admira que o país o tenha mandado "dar uma curva". Para não mencionar José Sócrates, a sua propaganda e os ultimos problemas que tem enfrentado, basta rodar a "Roda dos Ministros": Ministra da Educação (completo desastre), Ministro da Economia (muito mau), Ministro da Agricultura (mau); Ministro das Finanças (faz o que pode); Ministro da Cultura ( não existe, só se fôr inimigo da Cultura...); Ministro do Ambiente (o pior da história, a hecatombe total). Paremos a roda. Há ministros - como a da Saúde, ou o do Trabalho e Solidariedade, ou o dos Negócios Estrangeiros - que não entram neste grupo "horribilis", mas a mim parece-me que pior era impossível. Estranho para mim é o desembaraço e confiança de Sócrates com tão sofrível equipa. Agora todo o cuidado será pouco para evitar mais "embaraços" embaraçosos. E não convém abusar das inaugurações da praxe pré-eleitorais, os tempos já não estão para isso. O CDS manteve o mesmo resultado quando as sondagens já os andavam a dar 2%. O que custa a entender. Daí um certo sentimento de vitória que é um compreensível sentimento de alívio. Mas não é uma vitória, longe disso. No fundo a direita manteve o seu eleitorado. Apesar de ter levantado todos os foguetes. Vamos aos verdadeiros vitoriosos da noite: a Esquerda. Com mais de 20% dos votos do eleitorado é uma nova força que impõe respeito. Foi quem realmente subiu, tendo o Bloco de Esquerda duplicado a sua votação e tido o maior número de votos da sua história, sendo agora a terceira força política. A CDU teve uma pequena vitória com uma curta subida, mas ficou atrás do Bloco o que para muitos comunistas é uma derrota, apesar de numas europeias isso valer muito pouco. Tirando os abstencionistas e o numero grande de votos em branco e nulos, o único eleitorado que ganhou votos foi a esquerda. Vai ser esse eleitorado que o PS vai ter de ir buscar se quiser ganhar os próximos combates políticos. Também não me admira nada que o PSD vá tentar também por ali entrar para tentar neutralizar de alguma forma o Partido Socialista e ganhar votos entre os descontentes. Será um risco porque pode ser apanhado em contra pé pelo CDS, que pode daí tentar aproveitar algum eleitorado mais à direita do PSD. Mas não só, os Luis Filipes Menezes e Pedro Paços Coelhos desta vida hoje não estarão muito contentes com a vitória do PSD... Por isso que acho que futebolisticamente falando a bola está do lado da esquerda. Também estará do lado dos abstencionistas e dos desiludidos do voto em branco (quase 5%). Parece-me é que depois das Eleições de hoje seja muito difícil ultrapassar-se o descontentamento pela Direita. A ver vamos. Adenda: Se em Portugal teve mais votos a Esquerda, no resto da Europa ganhou a Direita. Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, França, Polónia...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Porque voto Bettencourt


Porque José Eduardo Bettencourt é o candidato mais preparado e capaz de liderar um Sporting em situação crítica, nestes terríveis tempos de crise financeira e económica internacional. Possui para isso experiência de gestão bancária ao mais alto nível, essencial para perceber os traiçoeiros meandros da alta finança.
Porque tem competência comprovada, capacidade mobilizadora e de trabalhar em equipa, prova disso é a unanimidade sobre a excelência de Bettencourt entre aqueles que já colaboraram com ele. Combinar isto com o conhecimento que tem do clube e do futebol português é um cocktail que só pode dar ao Sporting bons resultados a todos os níveis.
Porque é um vencedor por natureza. Quando realmente exerceu funções executivas no futebol, o Sporting ganhou 1 campeonato, 1 taça e uma 1 supertaça. Outras ficaram quase por ganhar - Bettencourt não teve culpas na deserção de Jardel - que foi um fatal abalo no projecto de ganhar vários campeonatos seguidos , o que não impediu outros brilharetes de JEB, entre eles a contratação de um tal de Liedson.
Porque a época vai começar daqui a menos de um mês e a pré-eliminatória para a Champions é daqui a menos de dois. A máquina estar montada e pronta a funcionar, com os inevitáveis melhoramentos e ajustes é meio caminho andado para se atingir a milionária Champions League, de que o Sporting precisa como de pão para a boca.
Porque Bettencourt vai dedicar-se em exclusivo ao clube. Não tem empresas suas, nem futuros negócios por onde se dispersar, nem ninguém para proteger. Só por má fé ou ignorância se pode dizer o contrário. O que ganhar será fruto do seu trabalho, mais nada.
Porque acredito completamente no seu genuíno sportinguismo. Não é uma fezada, é fé mesmo a sério. Confio em Bettencourt como em mais ninguém para dirigir os destinos do nosso clube.
Porque tem qualidades essenciais de carácter que muito aprecio, mesmo não o conhecendo pessoalmente. Consegue aliar um carácter franco, espontâneo, simpático e aberto com a capacidade de estar à altura dos desafios, disso foi bem a prova do famoso rasgão de José Mourinho à camisola a Rui Jorge. Disto não tirou proveitos nesta campanha, o que é mais uma prova do seu carácter.
Porque sendo ambicioso não embandeira em arco. Tem os pés muito bem assentes no chão. Em tempos de pântano é sempre melhor ter alguém que tem a consciência das perigosas areias movediças.
Por todos estes factores e mais algum, considero abissal a diferença entre as duas candidaturas. Em relação ao comportamento dos dois candidatos é melhor nem falar. Estamos mais que conversados.