terça-feira, 16 de junho de 2009

De Formula 1 a Formula 0



Com a redução de orçamentos prevista, talvez algum dia aquela oficina ali na Correira Teles concorra para ter um carro na Fórmula 1. É que os reguladores da FIA à força de tanto inventarem de ano para ano, aborreceram-se de simplesmente inventar. Acharam que assim deixavam tanto de dar nas vistas. Vai então que decidem inventar mesmo a sério e agora a Formula 1 será para (quase) todos. Por causa da crise e para aumentar a competividade, dizem eles. Esqueceram-se do resto e do mais importante, a mística da modalidade com as suas equipas, adeptos e rivalidades e o facto da Formula 1 ser um autêntico laboratório de tecnologia automóvel de ponta, tendo andado a par com a história da industria desde a sua formação. Não foi concerteza á custa de tectos orçamentais que o conseguiu.
A Formula 1 sempre foi uma genuína fábrica de heróis e mitos, que são no fundo os melhores pilotos e por isso correm nas melhores equipas, como em muitos desportos no qual o futebol é um bom exemplo. É ridículo reduzi-la agora por auto-recriação a uma competição algures entre o Nascar e o Karting com a aparência de Formula 3000. Só tenho pena que as espertas criaturas da FIA não inventassem uma outra coisa: um novo nome para a modalidade. E deixavam a Formula 1 para os malucos que não são burocratas como eles. Acho que não o fizeram porque assim provavelmente iam-se aborrecer. Como diz o outro, "eles querem é aparecer...".
Não seja por isso caros burocratas,vejam este video acima, nada mais que um lendário duelo entre o malogrado Gilles Villeneuve e René Arnoux e talvez deixem de nos chatear tanto a nós no tédio das vossas vidas que pelos vistos devem ser mesmo muito aborrecidas.
Ou então pensem no que seria no Futebol uma Portuguesa sem o Sporting, a Liga Espanhola sem o Real Madrid, uma Liga Alemã sem Bayern ou uma Liga Italiana sem Juventus, ou mudem para o Basquetebol e pensem numa NBA sem os Lakers ou num Basebol sem uns New York Yankees. Algo do género: o orçamento não ultrapassa as três tutas e meia e podem concorrer (quase)todos. Pois é isso mesmo que pretendem para a Formula 1 ás custas de quem fez crescer a modalidade.
Como nada vem ao acaso, se calhar mesmo que inconscientemente, mudaram desde há uns tempos as corridas para o Dubai, para a Malásia, China, corridas à noite, etc. Foi para preparar o terreno. Para que surjam novos adeptos, de preferencia que não conheçam bem quem foi Senna, Prost, Fangio ou Niki Lauda. Assim sempre será melhor para sustentar a modalidade e encher os bolsos depois dos chatos da Ferrari se irem embora...
Temo bem que não. A encarnação da cristalina estupidez das criaturas acabará por desaguar no óbvio: sem Ferrari a Formula 1 acabará num ápice, mais depressa do que quando começou. Se bem que o chairman ache que não.

Adenda: À cautela as verdadeiras e grandes equipas de Formula 1 começaram já a organizar-se. Exceptuando a Williams estão lá entre outras a Ferrari, A McLaren-Mercedes, a Renault, a Brawn, a Toyota, etc.
Parece que teremos a real Formula 1 com outro nome, enquanto que os senhores da FIA terão a sua modalidade a chamar-se Formula 1 com um nível do interesse e adesão de uma Formula Turismo qualquer. Das duas uma, ou dão com o braço a torcer e mostram a nu a sua cristalina inutilidade ou então lá se vai o dinheirinho. É bem feito.