segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eleições - Nada de absoluto



- O PS ganhou as Eleições Legislativas. Com uma maioria relativa, é certo, mas é quem vai comandar os destinos do país na próxima legislatura. Mesmo perdendo a maioria absoluta, venceu as Eleições. Em competição governativa interessa sobretudo ganhar, não tanto com quantos pontos se ganha. É tão simples como isso? É.


- O CDS foi um grande vencedor da noite. Teve uma votação esmagadora, com um número de deputados que irá dar muita força ao anterior partido do Táxi. Convém contudo aos centristas não embadeirarem em arco - a maior parte do seu eleitorado veio de descontentes do PSD e de descontentes que antes votaram no PS, que recusando votar à esquerda, também não decidiram votar PSD, por todos os óbvios motivos que se sabem. Está muito longe de ser um eleitorado fixado. Paulo Portas é inteligente e percebeu isso, tentando desde já no seu discurso trabalhar a fixação desse eleitorado. Sinal que tem os pés assentes na terra.

- Pelos motivos invocados acima e mais alguns, o PSD foi o grande derrotado. Deitou tudo a perder pela campanha e falta de visão de Manuela Ferreira Leite. Por tentar queimar étapas através da calúnia e demagogia barata, pelo papel de Cavaco Silva e da insinuada"asfixia democrática" vinda de umas escutas inventadas com um temporizador. Pelas candidaturas de António Preto e Helena Lopes da Costa. E last but not least, pela incapacidade de comunicação ao país e de mobilização do partido. O PSD ainda terá uma longa travessia pela frente, seguramente muito além do próximo Congresso...

- O Bloco de Esquerda subiu para mais do dobro a sua votação, mas não terá em si o poder de fazer uma maioria absoluta com o PS. Se provocar demasiado José Sócrates, corre o risco de vê-lo legitimar-se à direita, ou então a tentar forçar a ingovernabilidade do país, o que ao longo da nossa Democracia sempre foi meio caminho andado para novas maiorias...

- A CDU ganhou um deputado, mas perdeu dois lugares nas preferências dos portugueses. Teve uma noite amarga. E das duas uma, ou ganhará tempo com o próprio tempo, ou terá de mudar a sua estratégia de comunicação. Principalmente nos grandes centros urbanos, onde infelizmente os votos contam mais do que no Alentejo e outras zonas do interior do país.

- A esquerda terá necessariamente de se entender. Faz no Parlamento maioria absoluta com o PS. Mas nenhum dos seus partidos isoladamente o consegue fazer, coisa que o CDS infelizmente consegue. Nada será estático nesta legislatura.

- Na "Liga dos Últimos" o PCTP-MRPP de Garcia Pereira teve mais de 50 mil votos. Há muito que anda há beira de eleger um deputado. O golpe de asa virá da recheada carteira do seu líder?

- Como muitos já salientaram, foi bom não haver uma maioria absoluta. Foi um regresso da política ao dia a dia das pessoas. Ainda bem.


Imagem - DN on Line